Atriz Luiza Braga lança Minidocumentário “Mariana: histórias de vida e encantaria"

O novo trabalho do Coletivo Filhos de Iracema marca também a primeira direção da atriz paraense Luiza Braga. O documentário se debruça sobre as mitologias da cabocla Encantada Mariana, a partir de uma linguagem documental poética.


Este projeto tem como proposta a criação de um registro audiovisual na forma de documentário poético da história de vida e inserção no universo das encantarias amazônicas de Mãe Rita Souza, Ya Gedeunsu, sacerdotisa da Casa de Mina Nagô T.E.U.C.Y., segundo terreiro mais antigo do Estado do Pará. Ao longo da entrevista concedida por Ya Gedeunsu, acompanhamos, em paralelo, a construção imagética de parte do que é relatado na entrevista. Esta dimensão outra, gravada na Ilha do Mosqueiro, tem como objetivo transportar o espectador para o universo mítico da encantaria amazônica.



O documentário fortalece o necessário investimento na produção de material e divulgação de informação sobre as mitologias, cosmovisões e histórias de vida relacionadas aos guardiões das culturas tradicionais na Amazônia. Destacando-se o recorte estabelecido no contexto dos povos de terreiro, é importante reconhecer que tais culturas tradicionais se manifestam e são transmitidas essencialmente por meio da oralidade, daí a escolha da criação do documentário como forma artística capaz de registrar e traduzir a potência desses saberes historicamente marginalizados pelo processo hegemônico.



Por onde já passaram os Filhos de Iracema?

O Coletivo já realizou a live/show “O Sagrado Caminho da Lua”, patrocinada pela FADESP, através de edital de incentivo à produção artística e a partir de referências da cultura Afro; realizou a roda de conversas “Encantaria: um começo de conversa”, com patrocínio do SESC/Pará e a videoperformance “Do ventre à cabeça”, patrocinada também pelo SESC/Pará.


Coletivo "Filhos de Iracema"

Filhos de Iracema é um coletivo artístico que nasceu dentro do espaço da casa de Mina Nagô T.E.U.C.Y. Um grupo de artistas paraenses que reúne músicos, atores, performers e artistas do audiovisual se uniu com suas pesquisas pessoais para desenvolver projetos artísticos a partir da tradição das casas de tambor de Mina e Pajelança amazônicas.

Do ponto de vista poético, o coletivo ocupa-se da produção de objetos e ações culturais que tomam como base referências estéticas advindas de culturas de matrizes afro-ameríndias, especialmente no que tange ao que se pode reconhecer como inventário mitológico de povos banto e iourubá, bem como das pajelanças e encantarias amazônicas. Do ponto de vista ético e político, a vivência de terreiro é potencializada como fonte de saberes e fazeres historicamente marginalizados que demandam divulgação e reconhecimento público no contexto da luta antirracista. Ainda numa terceira perspectiva, o coletivo “Filhos de Iracema” também está interessado na fronteira entre espiritualidade e uma visão de saúde integral em que as tradições afro-ameríndias apontam para a possibilidade de uma produção cultural amorosa e revolucionária, centrada na cura de si e do mundo.



Contato: coletivofilhosdeiracema@gmail.com


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