Belém recebe o espetáculo AO VIVO [dentro da cabeça de alguém], com Renata Sorrah e elenco, no Theatro da Paz
- 1 de set. de 2025
- 8 min de leitura
Ministério da Cultura e Petrobras apresentam ‘AO VIVO [dentro da cabeça de
alguém]’, criação e montagem da companhia brasileira de teatro ao lado de Renata
Sorrah, como parte do Projeto História. Em Belém, nos dias 5, 6 e 7 de setembro, para
uma curta temporada (sexta e sábado, às 20h | domingo às 18h), no Theatro da Paz.
Com texto original e direção geral de Marcio Abreu, que parte da pesquisa e
questionamentos atuais da companhia relativos à memória, sonho e tempo, o espetáculo
traz aos palcos os artistas Renata Sorrah, Rodrigo Bolzan, Rafael Bacelar, Bárbara Arakaki e
Bixarte. A obra é, também, uma ficção sobre uma suposta biografia de alguém, de uma
artista. A peça convida o público a entrar dentro da cabeça dessa pessoa e conhecer suas
memórias, sonhos e imaginário, projeções de futuros, percorrendo imagens recentes da
história do Brasil e do mundo com um olhar para as histórias singulares e coletivas da
sociedade brasileira.

AO VIVO [dentro da cabeça de alguém] estreou em agosto de 2024, no Teatro do Sesi-SP,
na Avenida Paulista, e passou por Curitiba (PR), Belo Horizonte (MG), Rio de Janeiro e uma
pequena circulação pelas unidades do Sesc SP por cidades do interior paulista. A peça,
criada pela companhia brasileira de teatro num gesto coletivo com as artistas Renata
Sorrah, Rodrigo Bolzan, Rafael Bacelar, Bárbara Arakaki e Bixarte, chega agora a Belém,
nos dias 5, 6 e 7 de setembro, para uma curta temporada (sexta e sábado, às 20h | domingo
às 18h), no Theatro da Paz. O texto e direção geral são de Marcio Abreu e a pesquisa e
criação é assinada por ele ao lado de seus parceiros e núcleo criativo da companhia, os
artistas Nadja Naira, Cássia Damasceno e José Maria.
AO VIVO [dentro da cabeça de alguém] dialoga com a obra de Anton Tchekhov,
especialmente com seu texto seminal A Gaivota e dá sequência a uma das linhas de
pesquisa da companhia brasileira de teatro, que reflete os tempos atuais a partir de
diálogos inventivos com os clássicos. Durante o processo de criação, a partir da obra do
autor russo, algumas indagações foram feitas para a constituição da dramaturgia, como:
quais questões levantadas por Tchekhov atravessam o tempo e chegam até nós, hoje? E de
que modo? Como expandir essas questões? E que formas são possíveis, hoje? Há formas
novas, futuros possíveis?
Também foram tema de debate o valor da arte, para quem se produz e com quem, os tipos
de espaços para se ocupar e construir, a forma como os jovens artistas encontram a própria
voz na atualidade, e como se perceber artista na coletividade, com e para o público, em
uma experiência viva, focada no agora.

O espetáculo
A narrativa de AO VIVO [dentro da cabeça de alguém] é formada por diferentes elementos
de diversos campos de memória dos artistas que o compõem. “O público é convidado a
percorrer uma lógica de sonho ou de memória, não exatamente no sentido onírico, mas
como a gente formula o pensamento, como a memória não tem só a ver com o passado,
mas como é um campo ativo de produção de sentidos e também de projeção para possíveis
futuros”, explica Marcio Abreu.
A cena que abre o espetáculo, por exemplo, foi inspirada em uma experiência da atriz
Renata Sorrah, na década de 1970, quando estava indo para o ensaio da célebre montagem
de A Gaivota, que participou no Rio de Janeiro. Em outro estado de consciência, ela revê
personagens de sua vida e de sua arte, atravessando o tempo e ressignificando suas
existências, ao vivo, hoje.

A própria peça de Tchekhov também está presente de várias maneiras, seja de forma
conceitual e reflexiva sobre as temáticas abordadas nela, seja com os próprios trechos
reescritos. Nesta conjunção de memórias, o espetáculo se passa dentro da cabeça de uma
artista. Da Renata, da Nina, da Bianca, da Bárbara, do Bolzan, do Rafael, de todos que
criaram esse trabalho. Como se pudessem perceber outras consciências, outras
subjetividades, coisas que são, e de repente já não são mais. Coisas que se revelam e
desaparecem, algo que se vê e, de repente, já não está mais ou já não o é.
“Quando entramos na cabeça de alguém, no campo dinâmico de produção de memória,
percebemos que a vida de um único sujeito não é formada apenas por uma individualidade,
mas por uma multidão de possibilidades de ser”, afirma o diretor. “É uma peça sobre estar
vivo agora. É uma espécie de ensaio sobre vivências no tempo, sobre como colocar tempos
múltiplos em relação, no presente. Os tempos - histórico, subjetivo, futuro e da memória -
estão todos em convivência.”
Com uma equipe diversa de multiartistas e parceiros colaboradores da companhia em
outros trabalhos, AO VIVO [dentro da cabeça de alguém] conta com instalação cenográfica

e vídeos criados pelo premiado cineasta, artista visual e diretor Batman Zavereze; figurinos
do estilista e criador Luís Cláudio Silva e seu Apartamento 03; música original do
multiinstrumentista e diretor musical Felipe Storino; direção de movimento e colaboração
criativa da diretora, coreógrafa e bailarina Cristina Moura; fotografias e documentação
sensível do projeto da artista Nana Moraes; e a assistência de direção e colaboração criativa
do ator, bailarino e pesquisador Fábio Osório Monteiro.
AO VIVO [Dentro da Cabeça de alguém] traz duas alegrias: a companhia brasileira de teatro
junto à atriz Renata Sorrah. A primeira destacamos pela trajetória de repertório brilhante e
sua importância na pesquisa e construção da cena contemporânea brasileira atual. Com um
histórico de espetáculos impecáveis, tanto na estética como na contundência dos temas
tratados. Na segunda, saudamos, com honra, a presença de Renata neste elenco – o sexto
trabalho da atriz com a companhia e sétimo com o diretor Marcio Abreu –, uma artista
emblemática desde o seu reconhecimento na teledramaturgia, como na sua potência em
cena, algo que precisa ser visto e admirado. Neste encontro de potência e excelência, o
espetáculo se encontra com o texto de Anton Tchekhov para a criar uma realidade ficcional,
sensível, que convida a uma imersão ao universo interno do ser e ao espaço coletivo social.

Atividade paralela
Workshop Dramaturgias, Performances e Processos Criativos, com Nadja Naira e Marcio
Abreu
Com caráter expositivo, os encontros abordarão, de maneira analítica, contextual e
relacional, um repertório dramatúrgico e de processos criativos associados às experiências
de pesquisa e criação da companhia brasileira de teatro, do Grupo Galpão e de outros
artistas e coletivos. Além da obra de Marcio Abreu, passaremos por autores como Julio
Cortázar, Philippe Minyana, Jean-Luc Lagarce, Paulo Leminski, Ivan Viripaev, Noëlle
Renaude, Joël Pommerat, Hanoch Levin, Grace Passô, Alexandra Badea, entre outros.
Conheceremos aspectos dos processos de criação e escrita de peças como "PROJETO
BRASIL", "Preto", "Sem palavras", "AO VIVO [dentro da cabeça de alguém]", “Nós” e
"Outros". Também buscaremos articular pensamentos e propostas lançadas para o futuro.
Público-alvo e pré-requisitos
20 vagas para Artistas profissionais: performers, atrizes, atores, escritores, encenadores.
Inscrições e participação gratuitas.
Dias 6 e 7 de setembro. Sábado, das 14h às 22h; e Domingo, das 14h às 18h.
PROJETO HISTÓRIA
As apresentações do espetáculo na cidade de Belém/PA fazem parte da programação de um
projeto amplo da companhia, chamado HISTÓRIA, apresentado pela Petrobras por meio da
Lei Rouanet e Ministério da Cultura do Governo Federal do Brasil. Trata-se de um projeto
de manutenção da companhia brasileira de teatro que se estrutura em três eixos principais
de atividades, distribuídas ao longo do período de um ano (agosto/2025-julho/2026), com
possibilidades de extensão e desdobramentos para além desse circunscrito no projeto
inicial.
É a continuidade de um fundo mergulho nas águas brasileiras, muitas vezes turvas e
revoltas, iniciado em PROJETO bRASIL, de 2014, patrocinado pela PETROBRAS, e que
resultou ainda em outras duas montagens da companhia: PRETO (2017), também com
patrocínio da Petrobras e Sem palavras (2021), uma co-produção com Künstlerhaus
Mousonturm Frankfurt am Main/GE, Théâtre Dijon Bourgogne – Centre Dramatique
National/FR, A Gente Se Fala Produções Artísticas/BR, Passages Transfestival Metz/FR e Sesc
São Paulo. Reflete a pesquisa e as leituras que fizemos de autores, brasileiros e estrangeiros,
fundamentais a respeito da formação de um pensamento sobre o Brasil.
O primeiro eixo do Projeto é a criação de um novo espetáculo iniciado com dramaturgia
original, com o título provisório de HISTÓRIA, e que leva em conta as relações possíveis
entre história coletiva e história pessoal, como cada indivíduo, cada sujeito na sociedade
pode interferir na história coletiva e como os fatos, os acontecimentos históricos coletivos
podem determinar a história de uma pessoa. A importância da relação entre memória
coletiva e memória íntima na construção de uma trajetória histórica de um país chamado
Brasil.
O segundo eixo, que acontece nas cidades de Salvador, Manaus e Brasília, é a pesquisa para
a construção dessa dramaturgia. A pesquisa envolve a presença de pensadores de diversas
áreas de todas as regiões do país e será dividida em dois procedimentos:
1 - Seminários abertos ao público, a partir de prismas fundamentais da história do Brasil e a
contribuição subjetiva e do pensamento dos convidados em cada localidade
2 - Um dispositivo de criação, criado por nós da companhia, que se chama Voo Livre, ao
mesmo tempo pedagógico e criativo. Em cada cidade, 30 jovens artistas se reúnem num
workshop de 80 horas ministrado pela companhia e que aborda as questões temáticas e de
linguagem que envolvem a pesquisa para a criação desse trabalho. Ao final do período do
workshop, haverá 3 apresentações públicas das criações feitas com esses 30 jovens artistas
em suas cidades.
O Terceiro eixo trata-se da circulação do repertório da companhia e workshops pelas
diferentes regiões do Brasil.
A urgência do momento e as transformações da nossa sociedade são absolutamente
coerentes com a trajetória desse coletivo que se espalha pelo Brasil, que se afirma no
deslocamento no território brasileiro e para além do Brasil, e na construção de um trabalho
em longo termo, em longo prazo, de continuidade, de verticalidade na relação com o
público e de proposição de ponta, de construção da arte com um diálogo intenso com o
público e de desenvolvimento de linguagem.
Sobre a companhia brasileira de teatro
A companhia brasileira de teatro é um coletivo de artistas de várias regiões do país fundado
pelo dramaturgo e diretor Marcio Abreu em 2000, em Curitiba PR. Sua pesquisa é voltada
sobretudo para novas formas de escrita e para a criação contemporânea.
Entre suas principais realizações, peças com dramaturgia própria, escritas em processos
colaborativos e simultâneos à criação dos espetáculos, como PRETO (2017); PROJETO
bRASIL (2015); Vida (2010); O que eu gostaria de dizer (2008).
Há ainda uma série de criações a partir da obra de autores inéditos no país como uma
adaptação da obra Platonov de Anton Tchekov intitulada POR QUE NÃO VIVEMOS? (2019); a
peça Krum (2015) de Hanock Levin; Esta Criança (2012), de Joël Pommerat; Isso te
interessa? (2011), a partir do texto Bon, Saint-Cloud, de Noëlle Renaude; Oxigênio (2010),
de Ivan Viripaev, Apenas o fim do mundo (2006) de Jean Luc Lagarce; Suíte 1 (2004) de
Phillipe Myniana.
Suas criações mais recentes são Sonho Elétrico (2025), em interlocução com o
neurocientista, capoeirista e escritor Sidarta Ribeiro, e AO VIVO [dentro da cabeça de
alguém] (2024), ambas com texto e direção de Marcio Abreu.
A companhia realiza ainda frequentes intercâmbios com outros artistas no país e no
exterior, mantém um repertório ativo e circula com frequência pelo Brasil e Europa. Suas
produções frequentemente são realizadas através de leis de incentivo à cultura ou com o
suporte de instituições como SESC e SESI, e centros culturais como CAIXA e CCBB.
O núcleo criativo da companhia é composto por Marcio Abreu [direção, dramaturgia,
direção artística], Nadja Naira [atriz, iluminadora, coordenação técnica], Cássia Damasceno
[atriz, administração] e José Maria [direção de produção].
Ficha Técnica
Texto e Direção geral: Marcio Abreu
Pesquisa e Criação: Marcio Abreu, Nadja Naira, Cássia Damasceno e José Maria
Elenco: Renata Sorrah, Rodrigo Bolzan, Rafael Bacelar, Bárbara Arakaki e Bixarte
Direção de produção e administração: José Maria e Cássia Damasceno
Iluminação e assistência de direção: Nadja Naira
Direção Musical e Trilha Sonora Original: Felipe Storino
Direção de Movimento e colaboração criativa: Cristina Moura
Assistência de direção e colaboração criativa: Fábio Osório Monteiro
Figurinos: Luís Cláudio Silva | Apartamento 03
Direção videográfica: Batman Zavareze
Cenografia: Batman Zavareze, João Boni, José Maria, Nadja Naira e Marcio Abreu
Assistente de Arte: Gabriel Silveira
Edição de vídeo: João Oliveira
Captação das imagens para vídeos: Cacá Bernardes | Bruta Flor Filmes
Design de som: Chico Santarosa
Assistência de Cenografia: Kauê Mar
Técnica de vídeo, luz e programação videomapping: Michelle Bezerra, Ricardo Barbosa e
Denis Kageyama
Técnica de som: Dafne Rufino
Cenotécnica: Sasso Campanaro, Tinho Viana, Alexander Peixoto, Douglas Caldas
Maquinista: Sasso Campanaro e Alexander Peixoto
Fotos: Nana Moraes
Programação visual: Pablito Kucarz e Miriam Fontoura
Produção Original: Sesi SP
Criação e produção: companhia brasileira de teatro
Assessoria de comunicação/Belém – Holofote Virtual / Luciana Medeiros
Serviço
Local: Theatro da Paz
Informações: 91 3252-8603 ou bilheteria@theatriodapaz.com
Temporada: dias 5, 6 e 7 de setembro de 2025
Horário: sexta e sábado, às 20h | domingo, às 18h
Capacidade: 685 lugares
Duração: 100 minutos
Classificação: 16 anos
Ingresso: a partir de R$ 20,00
Bilheteria: Terças a sextas: 9h às 18h | Sábados e Domingos: 9h às 12h.
Ingressos online: Ticket Fácil https://www.ticketfacil.com.br/categories/theatro-da-
paz.html
Haverá Intérpretes de Libras, Audiodescrição e Monitoria para pessoas neurodivergentes e
pessoas com mobilidade reduzida ou idosos em todas as sessões.















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