Bruna Linzmeyer estreia como diretora de cinema no Festival do Rio, com filme co-dirigido com Lili Fialho
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O Festival do Rio 2026 marca a primeira exibição do curta-metragem ‘A CASA DE DONA CARLOTA’. Escrito e dirigido por Lili Fialho e Bruna Linzmeyer e produzido por Mayra Faour Auad e Gabrielle Auad, o filme é uma produção da MyMama Entertainment que conta com o patrocínio de Nike, Motorola e Adobe. A estreia no Festival do Rio dá início à trajetória do filme em festivais nacionais e internacionais, com perspectiva de distribuição em plataformas de streaming em 2027. A produção marca ainda a estreia de Bruna Linzmeyer — que também atua como atriz no curta — como roteirista e diretora. Lili Fialho assina o argumento.

Baseado na pesquisa histórica de Aira Bonfim, o filme acompanha Dona Carlota Rezende, dirigente e treinadora do Primavera Atlético Clube, enquanto prepara seu time de futebol feminino rumo à uma excursão internacional. A sede do Primavera funcionava dentro de sua própria casa, em Pilares, subúrbio do Rio de Janeiro. Mais do que um clube, o lugar se tornou um espaço raro de liberdade para aquelas mulheres: ali elas treinavam, conviviam, festejavam, ganhavam dinheiro jogando futebol e experimentavam possibilidades pouco permitidas às mulheres daquele tempo, desafiando a moral e a ditadura dos anos 1940.
O filme é estrelado pela atriz Ingrid Trigueiro (‘Bacurau’, ‘Manas’, ‘Rebento’) e ainda conta no elenco com Bruna Linzmeyer, Tay O’hana, Luisa Mangini e Diego Pallardo, além de participação especial de Sandrá Sá.
A CASA DE DONA CARLOTA resgata uma história de sucesso interrompida. Se hoje a proibição do futebol feminino é conhecida, aquilo que existia antes dela, e que foi brutalmente interrompido, quase ninguém sabe. Na década de 1930 e 1940, o futebol de mulheres crescia, conquistava público e começava a reivindicar sua profissionalização.

Nesse cenário, Dona Carlota se tornou uma de suas figuras mais atuantes — e incômodas. Em 1941, ela foi presa pela Delegacia de Costumes e a sede do Primavera foi fechada. Três meses depois, o governo de Getúlio Vargas publicou o decreto-lei que proibiu às mulheres a prática de esportes considerados “incompatíveis com as condições de sua natureza”, deixando um marco de 40 anos de proibição do futebol, que só foi regulamentado em 1982.
Ao levar essa história para o cinema pela primeira vez, o curta recupera Dona Carlota como protagonista de um capítulo fundamental do futebol brasileiro. Sua trajetória ganha ainda mais ressonância às vésperas de 2027, quando o Brasil receberá pela primeira vez a Copa do Mundo Feminina da FIFA, mais de oito décadas depois de mulheres como Carlota terem lutado para transformar o futebol em profissão.

“Este não é apenas um filme sobre o passado. ‘A CASA DE DONA CARLOTA’ é um manifesto sobre a resistência das mulheres no esporte, a luta contra a censura e o direito à memória. Contar essa história hoje é um ato de justiça histórica e um passo essencial para que futuras gerações conheçam e celebrem as ancestrais do futebol feminino brasileiro”, afirma Mayra, produtora e fundadora da MyMama Entertainment. Ela acrescenta: “Tenho uma paixão enorme por construir com talentos e acompanhar suas trajetórias. Por isso, é uma honra muito especial estar ao lado de uma atriz que admiro tanto, Bruna Linzmeyer, em sua estreia como diretora, e de Lili Fialho, diretora que tenho o orgulho de representar. Fazer parte desse encontro e desse novo capítulo na trajetória da Bruna torna este filme ainda mais especial para mim”.
As diretoras
Lili Fialho e Bruna Linzmeyer assinam a direção e o roteiro de ‘A CASA DE DONA CARLOTA’.
Lili Fialho é diretora de filmes que integra o casting da MyMama Entertainment. Com mais de 15 anos de carreira, sua trajetória profissional transita com excelência entre o universo da publicidade e do conteúdo, com abordagens íntimas. Ela é sempre guiada por um olhar muito próximo dos personagens reais, das emoções e, notavelmente, das histórias femininas.
Com uma profunda dedicação ao resgate da história do futebol feminino, já dirigiu longas-metragens e séries. Seu trabalho se concentra em dar voz às narrativas silenciadas, trazendo à tona as trajetórias de mulheres que desafiaram o apagamento. Dirigiu ‘Absolutas’, a primeira série documental sobre o futebol feminino, feita para a Federação Paulista de Futebol, e ‘Joias Brutas’, sobre jovens promessas do esporte.
Seu segundo trabalho na direção de um filme de ficção em curta-metragem, ‘A CASA DE DONA CARLOTA’ nasce de anos de pesquisa e imersão na história do futebol feminino, em uma trajetória de estudo e dedicação para reconstruir o que foi apagado. Mais do que um filme, é o primeiro passo de um projeto maior, que busca resgatar a memória das mulheres que desafiaram proibições e marcaram o esporte com coragem e resistência.
“É uma honra estrear este filme no Festival do Rio, a cidade onde Carlota nasceu. Sua trajetória e a das jogadoras do Primavera Atlético Clube foram propositalmente apagadas da história do futebol brasileiro e, do fundo do meu coração, espero que este filme honre a coragem e a resistência dessas mulheres e ajude a devolver a elas o lugar que lhes pertence. Às vésperas de o Brasil sediar uma Copa do Mundo Feminina, é impossível não lembrar que nada disso começou agora. Só chegamos até aqui porque mulheres como Dona Carlota existiram e resistiram. Que, a partir de agora, cada vez mais pessoas saibam quem foi a mãe do futebol feminino brasileiro”, diz Lili.
Bruna Linzmeyer é atriz, roteirista e diretora. Ao longo de 16 anos de carreira, construiu uma trajetória de mais de 30 trabalhos, marcada por importantes prêmios e reconhecimentos. Entre eles, o Prêmio Especial do Júri do Festival de Sundance por sua atuação junto ao elenco de ‘Uma Paciência Selvagem Me Trouxe Até Aqui’; o Prêmio Suzy Capó, do Festival do Rio, por seu ativismo junto à comunidade LGBTQIA+, à qual pertence; além de ter sido a homenageada pela 29ª Mostra de Tiradentes por sua contribuição ao cinema brasileiro, onde teve sua trajetória definida pelo curador Francis Vogner como marcada por um “carisma rebelde e um talento mutante”.
Com ‘A CASA DE DONA CARLOTA’, Bruna expande sua pesquisa artística para a escrita e a direção, assinando seu primeiro filme. A escolha dessa história atravessa outra dimensão importante de sua trajetória. Há quase dez anos, Bruna atua na cultura do futebol de mulheres e, desde 2018, é catalisadora da Nike, desenvolvendo projetos voltados ao fortalecimento do esporte. Nesses anos, construiu uma relação próxima com atletas, torcedoras, pesquisadoras e profissionais do futebol, além de ser uma torcedora apaixonada. Foi esse percurso de pesquisa, convivência e interesse pela história do futebol de mulheres que a levou até Dona Carlota. Honrar a trajetória da “mãe do futebol feminino” em um filme é resultado desses anos de investigação e, ao mesmo tempo, uma maneira de dar continuidade a esse trabalho por meio do cinema.
A atuação permanece parte central de seu trabalho, agora em diálogo com a escrita e a direção. Atualmente, Bruna desenvolve seu primeiro longa-metragem, ‘Corupá’, selecionado para o Torino Film Lab e produzido, assim como o curta, pela MyMama Entertainment.
“Fico honrada em fazer minha estreia na direção e no roteiro com ‘A CASA DE DONA CARLOTA’ no Festival do Rio, onde já participei com tantos filmes que marcaram a minha formação e a minha carreira. Entrelaçar cinema, mulheres e futebol não poderia fazer mais sentido diante de toda minha pesquisa e vivência dos últimos anos”, diz Bruna. Ela afirma que o futebol de mulheres é uma história de desobediência: “Mesmo durante a proibição, elas nunca pararam de jogar bola. Agora, 80 anos depois, Lili e eu, inspiradas por elas, desobedecemos a história oficial ao resgatar e celebrar o sucesso do futebol de Dona Carlota e do Primavera A.C. Mesmo sob tanto apagamento, agradeço os rastros que essas mulheres deixaram pelo caminho, para que a gente pudesse encontrá-las e contar suas histórias”, acrescenta.
O filme
Em Pilares, subúrbio carioca, a casa de Carlota é mais que a sede do Primavera A.C.. É um refúgio onde mulheres treinam, jogam futebol, negociam partidas, fumam livremente e desafiam as normas de uma sociedade que insistia em silenciá-las, na primeira metade do século 20.
No centro da narrativa, uma ousada negociação: determinada a levar o futebol feminino para o exterior, Carlota acerta os detalhes de uma viagem internacional com o empresário argentino Afonso Doce. O acordo simboliza mais do que uma oportunidade esportiva, pois é uma declaração de independência em um cenário onde cada avanço é visto como ameaça.
Mas o tempo jogava contra. Sob a pressão do Estado Novo – o regime instaurado no País por Getúlio Vargas e que durou de 1937 a 1945 – e da imprensa moralista, a repressão tornou-se inevitável. Em janeiro de 1941, Carlota é presa e seu espaço, fechado. Três meses depois, a proibição do futebol feminino se concretiza por decreto.
No papel de Dona Carlota está a atriz paraibana Ingrid Trigueiro, reconhecida por sua sólida trajetória no cinema, teatro e audiovisual brasileiro, que tem mais de três décadas dedicadas à arte. Considerada como uma das figuras mais expressivas e premiadas da cena cultural do Nordeste do Brasil, além de sua atuação em filmes como ‘Bacurau’, ‘Manas’, ‘Rebento’ e ‘Cura-me’, Ingrid também integrou o elenco de filmes como ‘Central do Brasil’, ‘Paterno’, ‘Vida entre Folhas’ e ‘Malaika’.
O elenco inclui também Bruna Linzmeyer (co-diretora e co-roteirista), Sandra Sá (numa participação especial), Tay O’hana, Luisa Mangini e Diego Pallardo.
Ficha Técnica
Título: ACASA DE DONA CARLOTA
País: Brasil
Ano: 2026
Duração: 15 minutos
Gênero: Ficção
Direção e roteiro: Lili Fialho e Bruna Linzmeyer
Produtora: MyMama Entertainment
Produção: Mayra Faour Auad, Gabrielle Auad
Produção executiva: João da Terra e Isabel Abduch
Coprodução: Bruna Linzmeyer
Argumento: Lili Fialho
Pesquisa: Aira Bonfim
Direção de fotografia: Janice D'Avila
Montagem: Dani Guimarães
Direção de arte: Taísa Malouf
Primeira assistente de direção: Kity Féo
Desenho de som: Tiago Bello
Edição de som e mixagem: Tiago Bello
Som direto: Samuel Braga
Trilha Sonora: Rita Zart
Figurino: Kika Lopes
Elenco (por ordem de protagonismo): Ingrid Trigueiro, Bruna Linzmeyer, Sandra Sá (participação especial), Tay O’hana, Luisa Mangini e Diego Pallardo
Distribuição: MyMama Entertainment
Classificação indicativa: 10 anos
Sobre a MyMama Entertainment
A MyMama Entertainment é liderada pelas irmãs, sócias e produtoras Gabrielle Auad e Mayra Faour Auad. A produtora completou 15 anos de atuação em 2026. Duas vezes vencedora do Emmy International, a MyMama é dedicada à produção de filmes e séries com assinatura autoral marcante e grande apelo de público e crítica, tendo como foco narrativas que representam vozes diversas e de alta relevância contemporânea. A MyMama é também sócia fundadora da Janeiro Estúdio, junto com Beta Films, Ilda Santiago e Koby Gal-Raday.
Os filmes da MyMama Entertainment foram exibidos nos mais prestigiados festivais do mundo, incluindo o Festival de Cannes, Toronto International Film Festival, Sundance, Locarno, San Sebastián, SXSW, Berlinale, Veneza, Festival Internacional do Rio e Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, entre outros.
Além de ‘Amarela’, de André Hayato Saito, entre os projetos recentes da produtora estão ‘Alice’, dirigido por Gabriel Novis, vencedor de Melhor Documentário Internacional no Hot Docs - 2025; ‘Medusa’, de Anita Rocha da Silveira, que estreou na Quinzena dos Realizadores do 74º Festival de Cannes; ‘Fogaréu’, de Flávia Neves, vencedor do Prêmio do Público na 72ª Berlinale – Panorama; e ‘Los de Abajo’, de Alejandro Quiroga, exibido no 32º Festival de Biarritz e pré-selecionado para os prêmios Goya e Platino.
A produtora também realizou séries de grande destaque, como ‘The Beat Diáspora’, coproduzida com a KondZilla e o YouTube Originals (com mais de 15 milhões de visualizações); a série documental ‘Adriano Imperador’, para a ViacomCBS/Paramount+; e o documentário ‘Odilon – Réu de Si Mesmo’, para a HBO Max.
Sua co-produção recente, ‘Vitória’, dirigida por Andrucha Waddington e estrelada pela lendária Fernanda Montenegro, recebeu ampla aclamação da crítica e se tornou o filme mais assistido da carreira da premiada atriz, com mais de 700 mil espectadores nos cinemas brasileiros.
Os projetos da MyMama já passaram por programas de prestígio como Torino Feature Lab, EAVE, TFL Next Feature, Berlinale Talents, além de participarem regularmente dos principais mercados internacionais, como Marché Du Film, CineMart, EFM, Berlinale Co-Production Market, Torino Film Industry, Focus Copro – Cannes, Hot Docs e Ontario Creates – TIFF, consolidando sua presença no mercado internacional.


















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