Bruno BO revisita brega marcante com pegada trap, reggaetown e cumbia

Experimentação é o que marca os mais de 20 anos de carreira de Bruno BO. Pioneiro no cenário rap e hip hop amazônico, o artista ousa mais uma vez e traz ao público o “Marcantes 2.0”, um álbum de releituras de clássicos da música paraense em versões trap, reggaetown e cumbia. Unindo as letras românticas do brega ao grave do baixo, o trabalho traz as participações de artistas fundamentais para o passado e presente da sonoridade nortista, em uma ode ao tecnobrega, que chega ao público no dia 24 de setembro (sexta-feira).


Apesar do clima de festa, Bruno conta que a concepção do projeto surgiu de um momento conflituoso e delicado, marcado por uma crise sanitária e social, que levou as pessoas a ficarem em casa. No confinamento, ao lado da diretora artística do álbum, Lúcia Maciel, que é esposa de BO, Bruno percebeu que nos momentos tristes e nos momentos alegres, o brega marcante foi quem cumpriu um papel de alento, muito por toda a carga afetiva que carrega no coração de muitos paraenses.


“Esse período definitivamente não foi e segue não sendo fácil para ninguém, mas no dia-a-dia da vida em casa, o brega nos acompanhou. Seja para chorar ou tomar uma cerveja, aquela música nos trazia harmonia e união. Foi aí que eu e Lúcia chegamos à conclusão de que, embora as letras não fossem minhas, a música do BO nesse momento não poderia ser outra que não o brega marcante. É um álbum de releituras, mas sem deixar de ser extremamente íntimo e pessoal para mim”, conta.



O pontapé do trabalho foi dado em uma gravação em homenagem ao centenário de um dos maiores nomes da cultura paraense: o poeta, compositor e professor Rui Barata (1920-1990). Para marcar a data, celebrada em 25 de junho de 2020, Bruno fez uma versão trip hop do clássico poema “Foi Assim”, um dos maiores sucessos do santareno, que foi musicado e eternizado na voz da diva Fafá de Belém. “Ali, naquele momento, a gente viu que fato funcionavam essas experimentações”, diz ele.


Parceria é um outro elemento que dá a tônica dos trabalhos de BO. Em “Marcantes 2.0”, ele convida artistas como Keila (carreira solo e ex-Gang do Eletro), Rebeca Lindsay (carreira solo, The Voice Brasil e ex-AR-15), Joelma Kláudia, Nanna Reis, Renata Beckman (Guitarrada das Manas), Marcos Maderito, Félix Robatto, Toninho Pina e Manoel Cordeiro. Para Bruno, essas parcerias estão todas ligadas a esse universo tanto antigo como de ressignificação da música paraense e do brega.


“Trouxe parcerias que acho que deveriam ser particularmente homenageadas pela contribuição que tiveram para a história do tecnomelody. É o caso da Keila e da Rebeca, representando tantas outras. A Joelma e a Nanna são outras grandes vozes do nosso Estado e colaborações que já trago de outros trabalhos. Além disso, nós temos nossos ‘guitar heros’, porque é a guitarra uma das grandes protagonistas da música paraense. Uma honra trabalhar com Renata, Félix e o mestre Manoel Cordeiro, que ajudou a construir a música paraense do início e a consolida até hoje”, destaca.


“Marcante 2.0” ainda traz a participação do Slim Rimografia (SP) e produção de Dubalizer (SP), Will Love (PA) e Félix Robatto (PA). O álbum tem o incentivo do Governo do Pará, por meio da Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural da Secretaria de Estado de Cultura (Secult). “É um trabalho para fazer as pessoas que se amam se aproximarem mais; contar histórias para os mais novos, sobre as festas, namoros, ressignificar amores, saudades, relações e reconectar corações partidos e gerações. É um trabalho coletivo, pedagogicamente apaixonado”, finaliza.


Sobre o artista


Original do norte, Bruno BO é um dos nomes pioneiros do rap e do ragga no Pará. Além de MC, Bruno BO é pesquisador e professor do Instituto Federal do Pará (IFPA). Com formação em Ciências Sociais, o antropólogo fez pesquisas durante toda sua trajetória acadêmica sobre a cultura hip hop, em especial o rap, se tornando o primeiro MC de rap brasileiro a conquistar o título de Doutor em exercício. Seu conhecimento antropológico é aliado à sua musicalidade. Em carreira solo desde 2002, o artista já lançou o álbum “Floresta de Concreto (2013), com participações de Gaby Amarantos (PA) e Dubalizer (SP), e o primeiro DVD de rap do Pará, “Afroamazônico” (2020), gravado em 2018, em Belém, com diversas participações especiais e produção de Dubalizer (SP).


BRUNO BO LANÇA “MARCANTES 2.0”

Lançamento: 24 de setembro

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