"Chamado das Águas": Espetáculo une ancestralidade amazônica e urgência ecológica em Ananindeua
- 19 de mar.
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O Coletivo Filhos de Iracema estreia montagem multilinguagens que utiliza a figura dos Encantados para alertar sobre o descarte de resíduos e a preservação dos rios.
O que acontece quando a magia das narrativas ancestrais encontra a crueza da crise ambiental contemporânea? Essa é a provocação central de “Chamado das Águas”, novo espetáculo do Coletivo Filhos de Iracema, que realiza sua pré-estreia no dia 20 de março e estreia oficial no dia 21, no CEU das Artes de Ananindeua.

A obra, situada na intersecção entre teatro, música e performance, propõe uma "travessia" sensorial. Em cena, os Encantados - seres fundamentais da cosmologia dos povos tradicionais da Amazônia - assumem o papel de denunciantes. Eles dão voz a um ecossistema que sofre com o descarte irresponsável de resíduos, lembrando ao público que o cuidado com a natureza não é apenas uma pauta política, mas um ato de sobrevivência e conexão espiritual.
A montagem mergulha profundamente nas raízes do Tambor de Mina Nagô, uma das expressões religiosas e culturais mais emblemáticas do Pará. Diferente de outras vertentes, a Mina Nagô paraense possui uma identidade própria, onde o toque dos tambores convoca os Encantados - seres guardiões que habitam o fundo dos rios, das matas e o invisível. É através dessa cosmologia que o espetáculo constrói sua narrativa.

Memória e Resistência
Com dramaturgia assinada por Mãe Rita D’Oxum e Pai Lucas de Oxalá, e direção cênica de Andréa de Oyá, o espetáculo utiliza a força da oralidade e dos cantos tradicionais para tecer sua narrativa. A trilha sonora é um dos pilares da montagem, mesclando composições autorais com a potência rítmica de cordas e percussões tocadas ao vivo.
"Cuidar do meio ambiente é preservar a memória, é produção de vida", afirma a Ana de Ogum, atriz no espetáculo. A montagem reforça a ideia de que a preservação dos rios é o elo que une o mundo visível ao invisível, sendo fundamental para a existência de ambos.
Ecocenas COP30
A realização faz parte do projeto Ecocenas COP30, uma iniciativa vinculada ao Programa COLETA MAIS, do Governo Federal, em parceria com Itaipu, Fadesp e UFPA. O projeto vem ocorrendo desde o início de 2025 atrelado às pautas ambientais da Conferência Climática que colocou o Pará no centro do debate global, e vem buscando utilizar a arte como ferramenta de conscientização ambiental em escolas e diversos espaços públicos da grande Belém.

De forma gratuita e lotação limitada, o espetáculo promete ser um momento de reflexão profunda sobre o papel de cada cidadão na manutenção da vida que corre pelas águas da Amazônia.
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SERVIÇO
* Espetáculo: Chamado das Águas
* Datas:
* Pré-estreia (convidados): 20/03/2026, às 19h
* Estreia (público geral): 21/03/2026, às 19h
* Local: CEU das Artes de Ananindeua (Rua Onze, 667, Conjunto Júlia Seffer, Águas Lindas)
* Entrada: Gratuita
* Lotação: 50 pessoas
* Informações: (91) 98114-2924 | Instagram: @filhosdeiracema_
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FICHA TÉCNICA:
Encenação, direção cênica e dramaturgismo: Andréa de Oyá
Assistência de direção: Pai Lucas de Oxalá
Direção Musical: Thales de Ayra e Pai Lucas de Oxalá
Atuação:
Mãe Rita D’Oxum
Mãe Yasmim de Obaluaê
Pai Lucas de Oxalá
Pai Ademir de Obaluaê
Gleydson Santos de Xangô
Ana de Ogum
Andréa de Oyá
Thales de Ayra
Ruber de Obaluaê
Dramaturgia: Mãe Rita D’Oxum e Pai Lucas de Oxalá
Visualidade:
Pai Lucas de Oxalá e Andréa de Oyá
Voz principal:
Mãe Rita D’Oxum
Cordas:
Thales de Ayra
Gleydson Santos de Xangô
Percussões:
Pai Lucas de Oxalá
Pai Miguel de Odé
Ruber de Obaluaê
Ana de Ogum
Fabiana Serrão de Ogum
Coro:
Coletivo Filhos de Iracema
Produção executiva:
Andréa de Oyá
Assistência de produção:
Thales de Ayra















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