Circuito Maravilha chega a Belém e reafirma o legado de Mestre Vieira
- 8 de abr.
- 4 min de leitura
Depois de passar por Barcarena e Bragança, o Circuito Maravilha – Guitarrada, Pesquisa e Memória chega a Belém nos dias 10 e 11 de abril,
na Usina da Paz da Cabanagem, consolidando um percurso que articula circulação
cultural, pesquisa e formação em torno de um dos gêneros mais singulares da música
brasileira: a guitarrada.
O projeto, dedicado à difusão da história da guitarrada e à valorização da obra de
Mestre Vieira, criador do gênero musical, foi contemplado no Edital 05/2025 Circulação
– Patrimônio Cultural Imaterial da PNAB Pará, com apoio da Fundação de Amparo e
Desenvolvimento da Pesquisa (Fadesp), Secretaria de Cultura-Pa e Governo do Estado e
realização do Ministério da Cultura, Governo Federal e Holofote Virtual Produções
Artísticas.

Joaquim de Lima Vieira, o Mestre Vieira, foi responsável por sistematizar uma
linguagem instrumental que nasce do diálogo entre o choro, os ritmos amazônicos e as
influências caribenhas, criando uma sonoridade própria que, décadas depois, seria
amplamente absorvida por diferentes circuitos musicais, muitas vezes sem o devido
reconhecimento de sua origem.
Belém ocupa um lugar central nessa trajetória
Foi na capital paraense que Vieira viu uma guitarra pela primeira vez, gravou seu
primeiro LP, travou disputas no contexto da ascensão da lambada, foi redescoberto e
passou a ser reconhecido como o criador da guitarrada, por meio da pesquisa
acadêmica do músico Pio Lobato; gravou o único DVD próprio, inspirou série de
animação (Os Dinâmicos) e gravou um documentário sobre sua trajetória, O Coisa
Maravilha.

A iniciativa do projeto é da jornalista, documentarista e produtora cultural Luciana
Medeiros, que há 18 anos desenvolve pesquisa e projetos dedicados à obra de Mestre
Vieira. Seu trabalho, que inclui inventário, publicações, produção audiovisual e ações
de difusão, têm sido fundamental para reafirmar Vieira no lugar que lhe é devido
dentro da história da música brasileira.
Em Belém, esse debate ganha ainda mais densidade
Em Barcarena e Bragança, as atividades reuniram mestres da cultura, músicos,
pesquisadores e agentes culturais, ativando um campo de escuta que ultrapassa a ideia
de memória como algo fixo, colocando-a em relação direta com os processos
contemporâneos de criação.
E agora é a vez de Belém. Na sexta-feira, 10 de abril, a mesa “Tradição e latinidade –
pesquisa, circulação e criação na música paraense” será mediada pelo historiador e
gestor cultural Gustavo Lima e reúne artistas e pesquisadores que operam em
diferentes frentes da música amazônica.
Participam a cantora e compositora Lia Sophia, que articula tradição e criação em sua
trajetória; o músico e pesquisador Luizinho Lins, com atuação voltada à valorização dos
ritmos amazônicos; o DJ e pesquisador Junior Almeida, que trabalha a partir da cultura
do vinil e da circulação das sonoridades latino-amazônicas; além de Luciana Medeiros,
que apresenta os desdobramentos do Inventário Mestre Vieira como ação de difusão e
salvaguarda.

A programação inclui ainda a exibição do documentário Coisa Maravilha – A Invenção
da Guitarrada, dirigido por Medeiros, que reconstrói a trajetória de Vieira a partir de
documentos, depoimentos e análise de contexto, situando a criação do gênero dentro
das dinâmicas culturais e industriais da época. A sessão será seguida de conversa com a
diretora.
Duas oficinas com inscrições abertas
No sábado, 11, o circuito se volta à formação presencial, na Usina da Paz da
Cabanagem, com a oficina “Comunicação para artistas e projetos culturais”, também
ministrada por Luciana Medeiros. A proposta parte de uma compreensão estratégica
da comunicação no campo cultural, abordando não apenas ferramentas, mas a
construção de narrativa, posicionamento e circulação de projetos — um ponto crítico
para artistas que atuam fora dos grandes centros de difusão.
Na quinta-feira, dia 16, será realizada a oficina on-line “Documentário Musical na
Amazônia”, ministrada pelo pesquisador e realizador audiovisual Felipe Cortez. Com
duração de 2 horas, a atividade propõe um mergulho na relação entre cinema e
música, abordando desde a história do documentário musical até os processos de

montagem e pós-produção, com destaque para o filme “Coisa Maravilha – A Invenção
da Guitarrada”, do qual Felipe Cortez é montador. A oficina dialoga com diferentes
contextos do documentário musical, incluindo produções brasileiras e amazônicas,
refletindo sobre linguagem, narrativa e construção audiovisual.
Felipe Cortez é pesquisador, realizador audiovisual e montador, com atuação voltada
ao cinema documental e às relações entre imagem e som. Desenvolve estudos sobre
documentário musical e processos de montagem, com ênfase em narrativas
contemporâneas. É o montador do filme “Coisa Maravilha – A Invenção da Guitarrada”,
que investiga a trajetória de Mestre Vieira e a criação da guitarrada.
Sexta-feira | 10/04
Vagas: 100
16h00 – Credenciamento
17h00 às 18h30 – Mesa de debate (com LIBRAS)
Tema central:
Tradição e latinidade – pesquisa, circulação e criação na música paraense
Mediação:
Gustavo Lima – historiador, gestor cultural e DJ pesquisador de música
latino-amazônica
Debatedores e temas:
• Luizinho Lins – músico, pesquisador e educador da cultura popular amazônica
Sub-Tema: Ritmos amazônicos e linguagem instrumental contemporânea
• DJ Junior Almeida – DJ, pesquisador e colecionador de vinil
Sub-Tema: Vinil, discotecagem e valorização dos mestres no cenário nacional
• Lia Sophia – cantora, compositora e produtora cultural
Sub-tema: Tradição em movimento
• Luciana Medeiros – jornalista, documentarista e pesquisadora
Sub-tema: Inventário Mestre Vieira – difusão e salvaguarda
18h00 – Intervalo
19h00 – Sessão especial de cinema
Coisa Maravilha – A Invenção da Guitarrada
Direção: Luciana Medeiros | Duração: 90 min
20h30 – Bate-papo com a diretora
21h00 – Encerramento e entrega de certificados
Sábado | 11/04 - 20 vagas
9h00 às 12h00 – Oficina de Comunicação para artistas e projetos culturais
Com Luciana Medeiros
Conteúdo:
Introdução ao plano de comunicação, estratégias de divulgação, posicionamento
artístico e circulação de projetos culturais
Quinta-feira | 16/04 - 30 vagas
20h às 22h
Oficina Online
"Documentário Musical e Montagem: experiências do cinema paraense"
Com Felipe Cortez
Inscrições abertas
08 a 14/04
@holofote_virtual
@mestrevieira_guitarrada
INFORMAÇÕES GERAIS
Programação gratuita
Inscrições abertas
Vagas limitadas
Entrega de certificados
Inscrições:
Online: @holofote_virtual | @mestrevieira_guitarrada
Presencial: no local (conforme disponibilidade de vagas)















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