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Encantador de búfalos, Mestre Damasceno tem obra reconhecida como patrimônio cultural do Pará


Encantador de búfalos, o quilombola marajoara Mestre Damasceno teve sua obra reconhecida como patrimônio cultural de natureza imaterial do Estado do Pará, por meio da Lei 10.141/2023, sancionada em 13 de novembro. Visando a memória e o fomento da cultura paraense, o projeto que deu origem à lei tem autoria do deputado Elias Santiago (PT), vice-presidente da Comissão de Cultura da Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa).


Inventivo, Mestre Damasceno é criador do Búfalo-Bumbá, uma alusão à festividade junina mais popular no estado do Amazonas, mas que também já acontecia na ilha do Marajó, no interior paraense. O artista é o autor dessas peças de teatro popular, onde é responsável pela criação dos enredos, das falas dos personagens e do figurino colorido por fitas de cetim.



Este ano, o cantor, compositor, diretor, escritor de autos juninos e pescador completa 50 anos de carreira. São mais de 400 composições, quatro álbuns lançados e dois documentários: “Mestre Damasceno – O Resplendor da Resistência Marajoara” e “O Boi-Bumbá de Salvaterra e suas Comunidades Quilombolas”. Sua dedicação à cultura popular marajoara foi reconhecida em 2010 pelo então Ministério da Cultura (MinC), ao premiá-lo com o “Prêmio Maria Isabel”.


“Tudo o que aprendi sobre a cultura, sobre a nossa região, nossos rios, nossos animais, hoje coloco nas músicas, nas peças teatrais e nas histórias. Esse é o nosso saber e fazer da cultura popular. Fico feliz por receber esse reconhecimento e compartilhar da emoção que sinto, com minha família, meus amigos e minha cidade. A alegria só é boa quando é em conjunto”, disse Mestre Damasceno.


Natural de Salvaterra, Damasceno Gregório dos Santos nasceu em 22 de julho de 1954, no seio da comunidade Quilombola do Salvá, no arquipélago do Marajó. Foi criado em uma família de colocadores de bois-bumbás e atua na cultura popular desde os 19 anos, mesmo ano em que se tornou pessoa com deficiência visual devido a um acidente de trabalho.



Assinado pelo deputado Elias Santiago (PT), o Projeto de Lei 9/2023 foi aprovado por unanimidade, no dia 18 de outubro, na Alepa. “Nossa ideia, quando sugerimos o projeto de lei foi dar a devida consagração ao Mestre Damasceno, por toda a sua contribuição à cultura paraense, ao longo desses 50 anos de carreira. Infelizmente, apesar da aclamação popular, muitos mestres só têm a sua obra reconhecida após nos deixarem. Sabemos que não é o suficiente, por isso propusemos o projeto na função de reparação histórica. É uma honra poder contribuir para a preservação, memória e fomento da nossa cultura”, destaca parlamentar, vice-presidente da Comissão de Cultura da Casa.


Em fevereiro deste ano, o artista foi homenageado pela Escola de Samba Paraíso do Tuiuti, no Carnaval do grupo especial do Rio de Janeiro, juntamente com o seu Búfalo-Bumbá. Atualmente, ele se dedica a levar sua música Brasil a fora ao lado de seu conjunto carimbozeiro Nativos Marajoaras.


A obra, vida e videografia de Mestre Damasceno pode ser conferida no site: https://mestredamasceno.com.br/

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