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Espaço Cultural Casa das Onze Janelas recebe a exposição “Retro / Ativa”

“Um artista barroco e multimídia, que não se contenta com nenhuma zona de conforto.

Um criador que, quando alcança algum lugar, é capaz de partir, na sequência, para

outro extremo”. Essa é uma das definições de Eder Santos nas palavras do curador

Luiz Gustavo Carvalho, responsável pela seleção das obras da exposição “Retro /

Ativa”, que chega ao Espaço Cultural Casa das Onze Janelas no sábado, dia 10 de

fevereiro. Na programação da abertura, que ocorrerá às 10 horas da manhã, será

realizada uma palestra com o artista Eder Santos e o curador Luiz Gustavo Carvalho e

será apresentado o site acervo(www.edersantos.art). A palestra contará com

intérprete de libras como recurso de acessibilidade.



A exposição reúne dez trabalhos que traçam um panorama da múltipla produção do

artista multimídia mineiro, a exposição itinerante fica em Belém até dia 30 de março,

antes de seguir para a última etapa da itinerância em São Luís, no Maranhão. Gratuita,

a visitação acontece de terça a domingo das 9h às 17h. Este projeto é realizado por

meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, do Ministério da Cultura e Governo Federal

União e Reconstrução, patrocínio do Instituto Cultural Vale e apoio do Espaço Cultural

Casa das Onze Janelas, por meio da Secretaria de Cultura do estado do Pará.

Mesclando diferentes linguagens e técnicas, a obra de Eder Santos borra fronteiras

entre artes visuais, cinema, teatro, vídeo e novas mídias. Pioneiro da arte multimídia

no Brasil, sua trajetória confunde-se com o início da produção audiovisual nas artes

plásticas, nos anos 1980, que funde o padrão estabelecido pelas televisões e as

experimentações com o vídeo-amador. “A maioria dos trabalhos da exposição traz

essa coisa da tecnologia, que sempre esteve presente na minha obra. Mas a

tecnologia acidental, como forma de experimentar. O ruído, a distorção, o desconforto.

Usar como ferramenta, sem respeitar muito a tecnologia, sem se entregar ao monitor”,

pontua o artista.



Eder Santos sublinha a presença de novas obras na exposição - “Janaúba” e “Call

Waiting”, trabalhos de outros tempos, que ganharam formatos nunca antes mostrados.

“É importante dizer que algumas das minhas obras têm versões duplas, triplas. Como

‘Janaúba’, que surgiu como performance e depois virou um vídeo, em 1993, exibido

em festivais de cinema e premiado no ‘Videobrasil’. Agora, ele chega neste formato de

videoinstalação, que ainda não foi apresentado. Essas duas obras que foram

repaginadas, curiosamente, tratam do cinema”, comenta Eder Santos, autor de 15

curtas, três longas-metragens e várias séries televisivas. “‘Janaúba’ traz questões

mineiras, que remetem a Guimarães Rosa e, ao mesmo tempo, faz referência a

‘Limite’, de Mário Peixoto, e a ‘Carro de Boi’, de Humberto Mauro, figuras importantes

do nosso cinema.



Para Luiz Gustavo Carvalho, as obras inéditas trazem um aspecto importante para a

seleção, que vai ao encontro do título da exposição. “É uma retrospectiva que

contempla vários períodos da carreira de Eder, mas que não trata de um trabalho

fechado, muito pelo contrário. Estamos falando de uma produção totalmente ativa, e

as obras inéditas permitem o olhar para os novos inícios”, pontua o curador,

ressaltando que o artista mineiro possui trabalhos em coleções permanentes de

instituições como os Museus de Arte Moderna da Bahia, de São Paulo e do Rio de

Janeiro, o Museu de Arte Moderna de Nova York – MOMA (Nova Iorque, Estados

Unidos), o Centre Georges Pompidou (Paris, França) e a Cisneros Fontanals Art

Foundation (Miami, Estados Unidos).

Sobre Eder Santos

Nascido em Belo Horizonte, Eder José dos Santos Júnior iniciou seus estudos na

Escola de Belas Artes da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e,

posteriormente, mudou-se para o curso de Programação Visual, na Fundação Mineira

de Arte Aleijadinho (Fuma), onde se graduou em 1984. Videoartista, cineasta, roteirista

e designer gráfico, tem obras nos acervos permanentes de vários museus e vasta

participação em bienais e festivais no Brasil e no exterior. Possui premiada carreira

como diretor de cinema e TV e, na música, soma parcerias com o multi-instrumentista

e compositor Paulo Santos, do grupo Uakti.

Entre seus trabalhos, estão a videoinstalação “The Desert in My Mind” (1992), que

convida os espectadores a caminharem sobre as imagens; o vídeo “Janaúba” (1993),

que evoca uma volta às origens do audiovisual; e a videoinstalação “Call Waiting”

(2006), composta por 50 gaiolas e imagens projetadas de pássaros, que remetem a

memórias de infância ligadas às aves que o pai do artista criava. Além de se dedicar à

criação de exposições, videoinstalações e vídeo-performances, Eder Santos é autor

de trabalhos em vídeo como “Tumitinhas” (1998), “Eu Não Vou à África Porque Tenho

Plantão” (1990) e “Mentiras & Humilhações” (1988). Dirigiu 15 curtas-metragens; a

série de televisão “Contos da Meia-Noite” (2004, TV Cultura); e os longas-metragens

“Enredando Pessoas” (1995), “Deserto Azul” (2014) e “Girassol Vermelho” (2020).

A participação de Eder Santos em festivais e bienais inclui, por exemplo, o “WWVF –

World Wide Video Festival”, em Amsterdã (Holanda), onde apresentou a

videoinstalação “Enciclopédia da Ignorância”, também exibida no “Media Art Festival

de Milão” (Itália), no Palácio das Artes (MG) e na Luciana Brito Galeria (SP). O

percurso do artista mineiro está entrelaçado com a história do “Festival Videobrasil”, de

São Paulo, para o qual é selecionado desde a segunda edição e já ganhou diversos

prêmios. Eder Santos participou, também, da “Bienal de São Paulo” (1996) e da

“Mostra Bienal 50 anos” (SP, 2001), além de acumular premiações em festivais

internacionais e nacionais como “Prêmio Sergio Motta” (SP), “Prêmio Petrobras Brasil”,

“Festival Internacional del Nuevo Cine Latinoamericano de La Habana” (Cuba),

“FestRio” (RJ) e “Rio Cine Festival” (RJ).

Sobre a Trem Chic

A Trem Chic é uma produtora criada em 2007 por Eder Santos, em parceria com

André Hallak, Leandro Aragão e Barão Fonseca. Sediada em Belo Horizonte, possui

amplo histórico em produções experimentais e de artes visuais, com trabalhos

apresentados em bienais e festivais no Brasil e no exterior. Entre os trabalhos,

destacam-se a produção da videoinstalação "Dogville", entre 2011 e 2012, em locais

como "Pinta Art Fair" (Nova Iorque, EUA); Oi Futuro Ipanema, para o projeto

"VideoUrbe" (RJ); e Galeria Celma Albuquerque (BH). Também produziu, em Belo

Horizonte, as videoinstalações "Estado de Sítio", no Palácio das Artes (2017), e

"Galeria das Almas II", no Museu de Arte da Pampulha (2013).

Além disso, a Trem Chic produziu a instalação exclusiva "Mentiras e Humilhações"

(2010) no Palácio da Aclamação, em Salvador (BA); as videoinstalações "Atrás do

Porto Tem uma Cidade" (Museu da Vale, Vitória, ES, 2010), "O Julgamento de Paris"

(3D, MASP, São Paulo, 2010) e "Embaixadas" (CCBB, Brasília, 2010); e a exposição

"Cinema" (Luciana Brito Galeria, São Paulo 2010). Recentemente, a produtora

consolidou seu departamento de Cinema e TV, que desenvolve projetos de filmes

ficcionais, documentários e séries televisivas, com longas e curtas exibidos e

premiados em festivais como "Rotterdam", "Oberhausen", "DOK Leipzig", "É Tudo

Verdade", "Videobrasil", entre outros.


SERVIÇO

Exposição “Retro / Ativa”, de Eder Santos

Quando: de 10 de fevereiro de 2024 a 30 de março de 2024.

Atividade paralelas:

Palestra sobre videoarte e bate-papo com o artista e o curador: 10 de fevereiro

de 2024 às 10 horas.

Visita guiada para deficientes visuais: data e horário a ser divulgado.

Oficina para crianças: data e horário a ser divulgado.

Visitação: terça a domingo das 9 às 17 horas.

Onde: Centro Cultural Casa das Onze Janelas - Rua Siqueira Mendes, s/no

(Complexo Feliz Lusitânia)

Visitação gratuita

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