Espaço São José Liberto expõe "As Cuias Aira", com artesanato de Santarém

A exposição "As Cuias Aira", que mostra o artesanato tradicional das comunidades ribeirinhas da região do Aritapera, em Santarém, oeste do Pará,promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico Mineração e Energia/SEDEME e do Instituto de Gemas e Jóias da Amazônia, foi aberta à visitação em Belém. Uma live que teve a participação da artesã Raimunda Santana, da professora e pesquisadora da UFOPA Luciana Carvalho, da presidente do Igama, Rosa Neves, e da secretária adjunta da SEDEME, Anadélia Santos marcou a abertura oficial da exposição, que tem o objetivo de dar maior visibilidade ao trabalho da Associação das Mulheres Ribeirinhas de Santarém (Asarisan), proporcionando o fortalecimento da marca a partir das suas redes de colaboração e dos canais de venda do seu artesanato.



São 200 peças que ficarão expostas até o dia 15 de agosto de 10h às 18h, de terça a sábado, e de 10h às 14h, aos domingos. O público que visitar a exposição vai encontra uma infinidades de itens produzidos a partir do fruto da cuieira, desde a peça mais conhecida, a cuia do tacacá,, até utensílios de cozinhas, como copos, tigelas e travessas,instrumentos musicais e até acessórios de moda como pulseiras.Todo esse trabalho começa bem próximo ao encontro da águas dos rios Amazonas e Tapajós e o processo é 100% natural. A matéria prima(cuia),a tinta(cumatê),as lixas(escamas e língua do pirarucu), os pinceis(penas de galinha) são todos retirados da natureza, seguindo a tradição que começou ainda no século 17, com os indígenas que habitavam aquela região.



Raimunda Santana,57 anos de idade,conhecida como Mundica, nasceu na Enseada do Aritapera, faz cuias desde os 12 e veio representar as mulheres da Asarisan. Ela, sozinha, produz entre 50 e 100 peças por mês, dependendo do formato que será dado e não esconde a satisfação de ver esse trabalho sendo conhecido por um número maior de pessoas."Eu enxergo meu trabalho,o trabalho das minhas colegas,numa exposição como essa, sendo muito valorizado, até porque antes a gente não tinha esse reconhecimento. Depois que nós passamos a trabalhar no coletivo, numa associação que nós criamos, só mulheres mesmo, começamos a sair para as exposições, a mandar nosso artesanato para fora de Santarém. Eu me sinto orgulhosa porque fazer o artesanato é ter criatividade, então me sinto muito feliz e é um orgulho não só pra mim,mas pra minhas colegas e pra Santarém, que a gente vai levando nome de Santarém pra muito longe", comemora a artesã.



Para a diretora-executiva e presidente do Igama, Rosa Neves, o grande objetivo da exposição "As Cuias Aira" é dar visibilidade para o produto artesanal que segue as normas e os preceitos da bioeconomia."Essa exposição fala de produtos que estão aqui no São José Liberto e a nossa finalidade é,realmente, fazer a promoção desses produtos,não só comercial, mas também de demonstração desse modo de fazer amazônico, dessa vida amazônica. Então,a exposição vai falar desses modos de fazer, desse produto que são as cuias, e também fomentar, incrementar a comercialização, acreditando que a partir do momento que o público visitante conheça os modos de fazer desse trabalho dessas cuias ele possa acessar e utilizar no seu cotidiano",afirma Rosa.



Anadélia Santos, secretária adjunta da Secretaria de Desenvolvimento Econômico Mineração e Energia, explica que há muitos anos a SEDEME trabalha em parceria com o Igama para manter no São José Liberto, um espaço de fomento à economia criativa. É muito importante esse tipo de exposição pra que a gente consiga realmente ter esse fomento na ponta de vários territórios que o Estado não conseguiria sozinho. Aqui acolhemos toda essa cultura e outros produtos de valor agregado que a gente faz essa comercialização dentro do Espaço.O empreendedor está sempre atrás de boas histórias e diferenciais para os seus produtos e nós temos isso aqui de uma forma extremamente natural. Quando a gente lê um pouquinho sobre a história dessas artesãs a gente percebe quanto diferencial têm esses produtos e quanto diferencial nossa região tem para realmente atingir um mercado muito mais amplo e fazer com essa renda,esse poder aquisitivo,essa valorização da marca e do diferencial de produtos e serviços da nossa região seja explorado", afirma a secretária adjunta.

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