Espetáculo “Diversidade Cultural” estreia dia 14 de março no Teatro Waldemar Henrique, em Belém
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A arte como ferramenta de educação, reflexão social e transformação humana ganha destaque em Belém com a estreia do espetáculo “Diversidade Cultural”, produção do projeto Música na Escola, idealizado pelo sociólogo e mestre em Ciência Política John Souza.
A primeira apresentação será no próximo sábado, dia 14 de março, às 17h, no Teatro Waldemar Henrique, na Praça da República. O espetáculo reúne estudantes da rede municipal e membros da comunidade em um grande encontro de música, teatro e dança, abordando temas sociais e contemporâneos.

Criado dentro da sala de aula, o projeto nasceu da necessidade de tornar o ensino da sociologia mais acessível e envolvente para estudantes do oitavo e nono ano do ensino fundamental e da Educação de Jovens, Adultos e Idosos (Ejai) da rede municipal de Belém.
“O projeto surge a partir da dificuldade de leitura, da falta de interesse dos alunos e do agravamento da realidade da escola pública no período pós-pandemia”, explica John, destacando que a iniciativa passou a integrar, em 2026, a disciplina

Projetos Integradores.
A metodologia começa com debates sociológicos, passa pela análise de músicas relacionadas aos temas estudados e evolui para a formação de um corpo teatral, ensaios com banda musical e preparação cênica. O processo culmina em apresentações abertas ao público nos teatros da cidade.
“A música, o teatro e a dança despertam mais interesse, envolvem os alunos e permitem discussões científicas e filosóficas profundas”, afirma o coordenador.
Arte que faz pensar
Para o estudante Alex Ruan, 24 anos, dar visibilidade a iniciativas como essa é fundamental para a formação crítica da juventude.
“É muito importante a gente dar visibilidade para projetos como esse que o professor John está à frente junto à juventude. Como dizia Paulo Freire, não se faz educação para o povo, mas junto com ele. A arte, a sociologia e a filosofia nos fazem pensar. Esse projeto resgata um processo de construção coletiva”, afirma.

Hoje, o projeto envolve entre 200 e 400 participantes, entre estudantes, familiares e comunidade, reunindo alunos de diversas escolas da capital e distritos. O espetáculo foi pensado para toda a família.
Segundo John, os impactos são visíveis também na escola e na vida pessoal dos alunos. “Eles ganham protagonismo, aprendem a se expressar, mudam comportamentos, adquirem confiança e passam a conhecer espaços culturais que jamais imaginariam frequentar”, relata.
A estudante Natasha Lobo, 18 anos, destaca as transformações que viveu por meio do teatro.
“O projeto e o teatro me proporcionaram muitos conhecimentos e oportunidades de fala. Aprendi a me expressar melhor e até melhorei dentro de casa. Cada um de nós tem seu jeito de ser no palco, conquistamos olhares e levamos nossos pais a mudarem também a forma de conversar com a gente”, conta.
Coletivo Rebarbads
Dentro do projeto atua o coletivo Rebarbads, formado por integrantes do teatro e da banda musical. Atualmente com 28 participantes, com idades entre 10 e 58 anos, o grupo estimula a consciência crítica por meio da arte, valoriza a cultura amazônica, incentiva o protagonismo juvenil, promove a preservação ambiental e amplia o acesso aos espaços culturais da cidade.

Diversidade Cultural
O espetáculo está estruturado em cinco blocos temáticos. O primeiro aborda escravidão, racismo, exclusão e violência social. O segundo discute ditadura militar, direitos humanos e política. O terceiro propõe reflexões sobre o trabalho. O quarto mergulha nas relações juvenis e no mundo virtual. E o quinto encerra com temas ligados ao meio ambiente, cultura, identidade, consumo e rótulos sociais.
Agenda 2026
Após a estreia no Teatro Waldemar Henrique, dia 14 de março, às 17h, o espetáculo seguirá em temporada em outros espaços culturais da cidade: 7 de maio, 18h, Teatro Margarida Schivasappa; 26 de junho, 17h, Teatro Waldemar Henrique; e 31 de agosto, 17h, Teatro da Paz
A entrada é gratuita para estudantes. O público em geral poderá contribuir, de forma opcional, com 1 kg de alimento não perecível, que será destinado a famílias em situação de vulnerabilidade ligadas aos alunos do projeto.

Projeto aposta em parcerias
Mantido até hoje com recursos próprios, o Música na Escola enfrenta desafios financeiros e de transporte, mas segue buscando parcerias e patrocinadores.
“Acreditamos que a educação aliada à arte pode transformar vidas. Nossa expectativa é que o novo espetáculo supere os anteriores, com ainda mais envolvimento dos alunos e do público”, afirma John.
Aberto a pessoas de todas as idades, o projeto continua recebendo novos interessados. Em 2026, o palco volta a se transformar em sala de aula — e a sociologia ganha voz, ritmo e emoção.















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