top of page

Expedição percorre comunidades tradicionais do Pará comprotagonismo feminino e turismo de base comunitária

  • 30 de abr.
  • 3 min de leitura

O projeto Quase Nativa - Expedição Amazônia Paraense é uma iniciativa de turismo

de base comunitária e de experiência que articula uma rede de comunidades locais

majoritariamente lideradas por mulheres nas ilhas, quilombos e praias da Amazônia

paraense. Com presença em Soure, Pesqueiro, Quilombo de Mangueiras, Cotijuba e

Algodoal, o projeto une preservação ambiental, geração de renda para mulheres negras,

ribeirinhas e periféricas e troca cultural horizontalizada.


A proposta é clara: turismo como ferramenta de preservação, não de exploração. A

iniciativa enxerga na articulação comunitária uma estratégia concreta para um turismo mais

consciente: quem chega se hospeda na casa de moradores do próprio território, aprende

com quem sabe e respeita o que encontra.

Há quatro anos, o projeto Quase Nativa percorre os caminhos não convencionais

dos rios da Amazônia paraense, resistindo à lógica do turismo massivo e construindo um

trajeto comunitário. Ao longo desse tempo, foram se articulando em rede com comunidades

locais, apostando na cooperação e no turismo regenerativo, não extrativista: uma prática

que devolve ao território mais do que retira, que fortalece modos de vida em vez de

consumi-los.



A primeira expedição já tem data e roteiro confirmados. De 9 a 14 de novembro, o

grupo percorrerá a Ilha do Marajó, com passagens por Belém e a Ilha de Cotijuba. Serão

seis dias vivenciando um pedaço da Amazônia paraense com quem é de lá e compartilha

sua cultura. A programação inclui, entre muitas experiências locais, o carimbó, tacacá,

banho de cheiro, plantio de mudas, troca de saberes e rodas de conversa ao redor da

fogueira. As vagas são limitadas.

Mulheres amazônicas anfitriãs de vivências

A força motriz do projeto são as mulheres que habitam e guardam esses territórios.

Elas são anfitriãs, instrutoras, lideranças e protagonistas econômicas. Para Júlia Leão

Monteiro, viajante, mulher preta e uma das idealizadoras do projeto, explica a origem e o

propósito da expedição:



A Expedição Amazônia Paraense surge dessas vivências de viagem — dentro do

Pará, fora do Pará, viagens internacionais — muito mochilando e conhecendo

outras mulheres viajando. A gente foi se especializando nessa área, de forma mais

profissional, mas sem perder a diversão que também faz parte. O objetivo é

entender esse território e trabalhar o turismo de uma forma que respeite as

identidades, as raízes, as histórias de quem está aqui. A gente também percebeu

que havia muitos homens como protagonistas dentro do turismo e poucas mulheres.


Então ocupar esse espaço é fundamental, é importante. E girar essa renda entre

mulheres negras, entre mulheres periféricas."

Fabrícia Marques, instrutora de carimbó e lundu marajoara e anfitriã da rede em Soure, fala

sobre o impacto concreto do projeto em sua vida:

"Me dando oportunidade de trabalho, de renda e de poder mostrar para as pessoas

que venham conhecer os lugares, a cultura e vivências que só o Marajó tem. Assim

posso ajudar minha mãe e ter condições de comprar minhas coisas, sem ficar

dependente de alguém."


Noemi Barbosa, liderança do movimento quilombola da Comunidade Quilombola de

Mangueiras, município de Salvaterra, no Marajó, resume o princípio fundamental da rede:

"O mais importante é que as pessoas que venham visitar o nosso território

respeitem a nossa história, nossas lendas, nossos contos. A gente conta o que

nossos antepassados contaram, e é através dessa oralidade que vai passando de

geração em geração. Muitas vezes quem vem não acredita em lendas. Mas quem

não acredita, que não critique. O respeito é o que não pode faltar: respeito à nossa

cultura, à nossa vida, ao nosso modo de vida."

Parceria e potencialização

O projeto Quase Nativa - Expedição Amazônia Paraense está sendo potencializado por

meio de uma parceria com o SER, por meio da Chamada Pública Aipê — Aliança pela

Inclusão Produtiva. A iniciativa conta com o apoio de parceiros fundadores: BNDES (Banco

Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), Fundação Arymax, Fundação Tide

Setubal, Instituto Humanize, Instituto HEINEKEN, Instituto Votorantim e Santander.

Os apoios institucionais são essenciais para garantir a viabilidade do projeto. Além de

viabilizar a realização das expedições, os parceiros oferecem às anfitriãs e equipes

formações em turismo e inglês, ampliando as possibilidades de atuação profissional das

mulheres da rede. Sob solicitação das próprias comunidades, também é possível a

aquisição de coletes salva-vidas, reforçando a segurança nos passeios de canoa pelos rios

e igarapés da região.

Sobre o projeto

Quase Nativa — Expedição Amazônia Paraense é um projeto de turismo de base

comunitária e de experiência que atua em rede com comunidades tradicionais da Amazônia

paraense. Com foco no protagonismo feminino, na valorização dos saberes tradicionais

como tecnologia de futuro e no turismo regenerativo como ferramenta de preservação

ambiental e cultural, a iniciativa trabalha com lideranças locais para o mapeamento de

iniciativas, o desenvolvimento de roteiros e a realização de expedições que colocam as

comunidades no centro.

Instagram: @quasenativa

 
 
 

Comentários


bottom of page