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Exposição performática traz narrativas de re-existências LGBTQIAPN+ ao público paraense

A exposição “Degenerado Tibira: O Desbatismo” estreia nesta terça-feira (12) , às 19h, no Museu de Arte da Unama da Alcindo Cacela, com programação de abertura e pocket show de Leona Vingativa. Em sua visita a Belém, a exibição busca trazer reflexões de re-existências LGBTQIAPN+ através de obras performáticas assinadas por artistas do Norte, Nordeste e América Latina. Tendo como inspiração o Tibira do Maranhão, pertencente ao povo Tupinambá, documentado como primeiro assassinato por LGBTFobia do Brasil, a exposição conta com a curadoria de Eduardo Bruno (Fortaleza/CE), Waldirio Castro (Campina Grande/PB) e curadoria adjunta de Paola Maués (Castanhal/PA). A visitação acontecerá até o dia 26 de abril, das 14h às 20h, com entrada gratuita.



Com mais de 30 obras de artistas do Norte, Nordeste e América Latina, “Degenerado Tibira: O desbatismo” tem Tibira do Maranhão como disparador curatorial, personagem da história não oficial brasileira. Tibira foi assassinado brutalmente no século XVII, pelo crime de sodomia e com a justificativa de purificar a terra das maldades, as frades francesas da ordem dos Capuchinhos, forçadamente o batizaram para que depois fosse assassinado por uma bala de canhão. Sua morte brutal é um símbolo da violência e discriminação histórica que pessoas LGBTQIAPN+ e povos indígenas sofrem no Brasil desde os tempos coloniais. 



A itinerância em Belém é uma forma de fortalecer a produção artística LGBTQIAPN+ da região Norte, onde artistas da casa também expõe suas obras, valorizando suas narrativas em seu próprio território e dando respostas às violências impostas, principalmente do colonialismo e do cristianismo, a esses corpos ao longo da história.


Uma dessas artistas é Rafaela Moreira, com a obra Uiaras defendendo o paraíso (2019) que faz parte do Acervo da Coleção Amazoniana de Arte da UFPA, parceira do projeto, Rafaela busca desenvolver trabalhos artísticos a partir da reimaginação de contextos históricos e imagéticos em confronto com sua perspectiva de travesti na Amazônia urbana de Belém.


“Historicamente as obras de artistas do Norte e Nordeste só são valorizadas quando elas descem pro eixo Sudeste, principalmente São Paulo e Rio de Janeiro, então queríamos fugir dessa armadilha, construindo um espaço de valorização de vida e produção artística de narrativas LGBTQIAPN+ nos nossos territórios, indo contraponto da violência histórica que essas regiões sofrem, construindo essa  itinerância em Belém.” conta Eduardo Bruno, pesquisador, doutorando em Artes pela Universidade Federal do Pará (UFPA) e um dos curadores. 



A proposta da mostra é romper a morte e o silenciamento impostos aos corpos LGBTQIAPN+ pelos dogmas de um cristinianismo conservador, a exposição afasta a salvação que exclui e silencia esses corpos, focando em grupos historicamente minorizados, como forma de motivar o debate sobre as vulnerabilidades de pessoas LGBTQIAPN+, mas também a valorização a produção artística da região, onde artistas do estado também expõe seus trabalhos, juntamente com obras da região Norte, Nordeste e da América Latina.


Para Waldírio Castro, é muito importante que esse intercâmbio artístico aconteça entre o Norte e Nordeste como forma de valorizar as narrativas da região, dando resposta de pulsão de vida e inventividade a processos outrora impostos pelo próprio colonialismo a corpos LGBTQIAPN+, principalmente nortistas e nordestinos: “Pensar na história de Tibira do Maranhão como disparadora, inverte o que a mente Cis Hétero Masculina enxerga dessa população, que a vivência desses corpos é apenas enfrentiva, violenta, desafiadora, mas pensar nessa rede que se cria entre artistas LGBTQIAPN+ do Norte e Nordeste, estabelecendo essa relação de compartilhar através da arte e experiências esteticas, outros meios de ser/estar no mundo, para além da violência que nos atravessa.” Afirma o curador, artista e pesquisador doutorando em Artes da UFPA. 


Dentre as obras e performances da exposição, temos a do artista Nau Vegar, denominada “A Última Ceia”, uma videoperformance onde o amapaense come a cópia impressa em papel arroz da obra “A Última Ceia” de Leonardo da Vinci. O performer propõe através da sua obra o rompimento das estruturas cristãs e dos conceitos obrigatórios impostos pela religião. Outra obra que trás a tona esse recorte é a foto-performance de Indja, indígena da etnia Kariri/Payacús e Artista, denominada “A Primeira Descomunhão”. 


Além da exposição, a abertura contará com a performance “Defumação” de Pedra Silva, artista e travesti de Fortaleza-CE, que inicia a ocupação do museu e seus entornos com o ritual de defumação, a fim de equilibrar as energias e afastar o mal, como forma de recobrar a memória da cidade do ato simbólico e ritualístico de defumação, remetendo a ancestralidade outrora esquecida e desmontada pela colonização. Finalizando a estreia com pocket show de Leona Vingativa, que performará alguns de seus maiores sucessos e, ainda como parte de sua participação, o clipe “Frescáh no Círio”, ficará em exibição como uma das obras que compõem a exposição. 


A programação segue ao longo da semana com performances e mesas de multi-artistas locais e do Nordeste, encerrando na sexta-feira (15), às 18h, com a ocupação “Caraball”. Nesta ativação, a Haus Of Carão convida o público a ocupar o espaço do museu de forma inovadora, experienciando a Cultura Amazônida com a presença da Aparelhagem Rubi Light, um dos maiores símbolos da cultura periférica paraense, em uma Ballroom. Além disso, é um espaço democrático, onde esses corpos LGBTQIAPN+ podem resistir e existir sem preocupações. 


O projeto, selecionado pelo Edital de Artes Visuais - Lei Paulo Gustavo, é uma realização da Plataforma Imaginários, com fomento cultural da Secretaria de Cultura do Estado do Pará e Ministério da Cultura. Apoio do curso de Artes Visuais UNAMA, Programa de Pós-Graduação em Comunicação, Linguagem e Cultura UNAMA, Museu de Arte da UNAMA, Instituto Dragão do Mar, HUB Cultural Porto Dragão e Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Ceará. Conta também com a parceria da Coleção Amazoniana de Arte da UFPA, MAD.RE, Meu Garoto e Multi Análises. 


SERVIÇO


EXPOSIÇÃO “Degenerado Tibira: O Desbatismo”


Visitação de 13 de março a 26 de abril de 2024, das 14h às 20h.


Local: Museu de Arte da Unama - Endereço: Av. Alcindo Cacela 287, Belém, PA, 66040-020. 


PROGRAMAÇÃO  DE ABERTURA 


12/03 (Terça-feira) a partir das 19h

19h - Performance “Defumação para afastar o Alzheimer Colonial”, de Pedra Silva (Fortaleza-CE)

20h - Pocket show de Leona Vingativa (Belém/PA)


13/03 (Quarta-feira) a partir das 19h

19h - Performance “O que pode um corpo?” de Céu Vasconcelos (Pacajus/CE)


14/03 (Quinta-feira) a partir das 19h 

19h - Conversa de Galeria com Eduardo Bruno (Fortaleza/CE), Waldírio Castro (Campina Grande/PB) , Afonso Medeiros (Belém/PA), mediação: Paola Maués (Castanhal/PA)


15/03 (Sexta-feira) a partir das 18h 

18h - Ocupação “Caraball’, Haus of Carão  (Belém/PA)

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