Fruto sagrado amazônico, açaí alimenta, gera renda e move a sociobioeconomia
- 23 de jun. de 2025
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Símbolo ancestral da Amazônia, o açaí é uma potência cultural, econômica e social no Pará. O fruto deixou de ser apenas um alimento tradicional para se consolidar como protagonista econômico, social e ambiental. Presente na mesa de milhares de paraenses, todos os dias, o açaí também é fonte de renda para comunidades ribeirinhas e motor do desenvolvimento regional.

A palavra açaí é originária do tupi ïwasa’i, que significa “fruto que chora”. O nome faz referência ao líquido roxo, rico em antocianina, que a fruta libera durante o preparo de sua polpa. Crescendo majoritariamente em áreas de várzea, onde os solos são alagados e ricos em nutrientes, o açaizeiro pode atingir até 30 metros de altura e desempenha papel essencial no ecossistema amazônico.
O estado do Pará lidera, com folga, a produção do fruto no Brasil. Em 2024, foi responsável por mais de 90% do total nacional, o equivalente a 1,9 milhão de toneladas. De acordo com um estudo da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), ao longo de 36 anos, entre 1987 e 2022, a produção paraense saltou de 145,8 mil toneladas para 1,9 milhão — um aumento de mais de 1.200%.

Dados do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) registraram um crescimento expressivo das exportações do açaí paraense em 2024. De janeiro a dezembro, o valor exportado alcançou US$ 95,2 milhões, um aumento de 66,81% em relação ao mesmo período de 2023. O volume também cresceu, saltando de 15,3 mil para 25,4 mil toneladas. Os Estados Unidos foram o principal destino, com mais de US$ 50 milhões em compras, depois vieram Austrália, Japão e Holanda. Entre os produtos mais exportados estão sucos de frutas sem adição de açúcar, frutas processadas e sorvetes — com destaque para o purê de açaí, cuja exportação somou US$ 335,9 mil.
Além de maior produtor, o Pará também se mantém como o principal estado exportador do setor, concentrando quase 60% da participação nacional. O bom desempenho se manteve em 2025. Só no primeiro trimestre, as exportações cresceram 23,46%, totalizando 31,4 milhões de dólares e 8,4 mil toneladas em volume embarcado. O estado manteve a liderança nacional.

O relatório do CIN aponta que os resultados não são apenas um indicador econômico, mas um reflexo da consolidação de um novo modelo de desenvolvimento para a região, o fortalecimento de um setor que passou por um processo de industrialização, com maior valor agregado aos produtos e consolidação da cultura exportadora no estado. A diversidade dos destinos que importam o produto também é destaque na análise, sinal de que o mundo está descobrindo, ou redescobrindo o valor do açaí paraense, não apenas como superalimento, mas como símbolo de sustentabilidade, biodiversidade e inovação. Exemplo concreto de como é possível gerar desenvolvimento econômico com base na floresta em pé.

A maior produção está em Igarapé-Miri, cidade do nordeste paraense que fica a mais de 140 quilômetros de Belém. Segundo a Prefeitura Municipal de Igarapé-Miri, o município, sozinho, respondeu por 21,7% da produção do fruto no ano passado — cerca de 422,7 mil toneladas — e movimentou mais de R$ 1,57 bilhão, reafirmando seu título de “Capital Mundial do Açaí”. Outros municípios paraenses também se destacam na produção: Cametá (8%) e Abaetetuba (5,8%) figuram entre os principais polos produtores.















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