Histórico! Elton John faz show arrebatador e encerra primeiro fim de semana do Rock in Rio
A história do Rock in Rio ganhou mais um capítulo inesquecível nesta segunda-feira (7). Com ingressos esgotados, Elton John subiu ao Palco Mundo para seu único show no Brasil em 2026 e transformou a Cidade do Rock em um grande encontro entre gerações. O astro garantiu que todas as memórias construídas junto ao público até aqui sejam perpetuadas pela nova geração. Após encerrar, em 2023, a turnê Farewell Yellow Brick Road – que quebrou recordes e marcou sua despedida dos palcos depois de 50 anos de carreira –, o artista retornou para apresentações selecionadas e escolheu o Rock in Rio para um momento único na América do Sul. Um dos maiores ícones da história da música revisitou clássicos que atravessam décadas e permanecem no imaginário coletivo, em uma performance marcada pela emoção, pelo talento musical extraordinário e pela força de um repertório que ajudou a moldar a história da música.

Para Roberto Medina, idealizador do Rock in Rio, a presença de Elton John representa exatamente o legado que o festival busca proporcionar ao público. “O Elton John escolheu o Rock in Rio para fazer este show que foi de arrepiar. Não teve outro na América do Sul, é só esse momento”, afirmou. “O que vimos aqui hoje é a história sendo reverenciada na sua mais pura essência. Famílias inteiras juntas, como acontece desde a nossa primeira edição, em 1985. Ele é ícone mundial e vê-lo se entregando desta forma na Cidade do Rock vai ficar marcado para sempre. Foi tudo mágico, do início ao fim”, celebrou.
Desde cedo já era possível ver a empolgação do público com o show de Elton John. Muitos fãs chegaram à Cidade do Rock vestindo roupas que remetiam aos visuais icônicos e ao estilo característico do cantor – incluindo os famosos óculos. Elton John levou ao Palco Mundo do Rock in Rio canções que se tornaram parte da memória afetiva de diferentes gerações, entre elas “Your Song”, “Tiny Dancer”, “Rocket Man” e “Bennie And The Jets”. O show fechou o primeiro fim de semana do festival em uma noite à altura da dimensão de seu protagonista.
Josilda Souza, 62 anos, mãe de dois filhos e avó da Sofia, veio do Espírito Santo sozinha para o Rock in Rio 2026. Essa é quinta vez da vovó do Rock e do Pop, como ela gosta de ser chamada. “Peguei um ônibus e estou hospedada na casa de uma amiga aqui no Rio de Janeiro. Eu amo rock, mas quando soube que Elton John viria ao festival no dia do Pop, comprei logo meu ingresso. O show dele entrará para história, pois está se despedindo dos palcos”, comentou. Josilda é assistente cerimonialista e sempre se aventura de vir sozinha para os eventos musicais que acontecem no Rio de Janeiro. “Meus filhos são casados e têm a vida deles. Eu sou muito comunicativa e faço novas amizades aqui na Cidade do Rock. Caminho por aqui bem tranquila, pois tudo é organizado e seguro”.
Antes dele, Gilberto Gil subiu ao palco com uma apresentação preparada especialmente para o Rock in Rio. O artista revisitou uma trajetória que se confunde com a própria história da música brasileira, com canções como “Andar com Fé”, “Toda Menina Baiana” e “Aquele Abraço”. Aos 84 anos e em sua turnê de despedida, Gil lembrou sua presença na primeira edição do festival, em 1985, e o clima de despedida ganhou ainda mais força quando o cantor sugeriu que poderia ser sua última participação no festival. A declaração recebida com um sonoro “não” pela plateia, que respondeu aos sucessos com coro, aplausos e demonstrações de carinho.
O segundo show foi de Jon Batiste, que misturou jazz, blues, gospel e samba, mostrando também seu reconhecido virtuosismo ao piano. O repertório percorreu diferentes momentos de sua carreira, com músicas como “I Need You”, e trouxe releituras de clássicos brasileiros, entre elas “Mas, Que Nada”, de Jorge Ben Jor, interpretada ao lado da cantora brasileira Nêgah Santos. A apresentação teve direito à participação de músicos brasileiros e momentos em que Batiste explorou diferentes formações no palco. Um dos destaques foi a participação da bailarina brasileira Ingrid Silva, em uma performance que uniu a força do movimento à música executada ao piano.

A abertura do Palco Mundo nesta segunda ficou por conta de Luísa Sonza, que convidou Roberto Menescal para um encontro especial entre o pop, o funk e a bossa nova. A artista abriu a apresentação com “Doce mentira” e seguiu com “Santa Imaculada”. A participação de Menescal teve início com “Chico”, cuja versão em inglês tem produção musical assinada pela “lenda”, e contou com canções como “Um pouco de mim”, “Você” e “Samba de verão”. Sonza passou por canções como Penhasco 1 e 2, e fechou a apresentação com a energia lá no alto com “Dona Aranha” e “Telefone”.
Palco Sunset celebra encontros, nostalgia e novas gerações
No Palco Sunset, Laufey encerrou a noite com a elegância de seu jazz contemporâneo e uma cenografia grandiosa que envolveu o público na Cidade do Rock. Em um dos momentos especiais da apresentação, a cantora surpreendeu ao interpretar em português “Perdido de Amor”, de Luiz Bonfá, reforçando sua conexão com a música brasileira. Laufey também mostrou proximidade com os fãs ao deixar o palco para cumprimentar o público que acompanhava o show na grade, em um gesto que aproximou ainda mais a artista da plateia.

Péricles veio pouco antes com um projeto dedicado à Motown, criado especialmente para o Rock in Rio. Para a apresentação, o cantor preparou 13 sucessos da lendária gravadora norte-americana e a homenagem não ficou restrita ao repertório: o artista vestia um terno risca de giz e uma capa que trazia estampado os rostos de grandes ícones da música negra estadunidense. Com arranjos conduzidos pelo maestro Maurício Piassarollo, Péricles cantou com naturalidade canções de nomes como Stevie Wonder, The Temptations, Lionel Richie, Jackson 5 e Smokey Robinson.

O segundo show do dia contou com o encontro emocionante de dois grandes nomes da música nacional. Após 35 anos, o Roupa Nova voltou ao festival para um show que arrebatou o público e contou com a participação especial de Guilherme Arantes. O repertório reuniu sucessos como “Sapato Velho”, “Dona” e “A Viagem”, tema da novela homônima, sucesso em 1994. A apresentação também foi marcada pela execução da música-tema do Rock in Rio, de autoria da banda, que assina ainda o tema da vitória do grande ídolo Ayrton Senna. Na participação de Guilherme Arantes, que fez sua estreia no festival, o artista sentou-se ao piano para interpretar “Cheia de Charme” e “Lindo Balão Azul”.

Vanessa da Mata abriu a tarde do Palco Sunset celebrando seus 20 anos de carreira. O momento mais especial ficou por conta da participação de Rubel, que subiu ao palco para cantar com Vanessa "Ainda Bem", "Medo Bobo" e "Carta de Maria".
Fatboy Slim leva clássicos da música eletrônica ao New Dance Order

No New Dance Order, a celebração continuou noite adentro com Fatboy Slim. Um dos nomes mais importantes da história da música eletrônica, o DJ britânico encerrou a programação com um set repleto de clássicos que se tornaram hinos das pistas. Antes dele, Max Styler, como o Special Opening do dia, abriu a pista com um set de forte energia, seguido pelo encontro entre Leo Janeiro e Simo Not Simon, que trouxe uma proposta autoral para a programação. Aline Rocha completou a sequência antes da chegada do headliner.
Espaço Favela, Supernova e Global Village ampliam a celebração da música brasileira
O Espaço Favela virou um caldeirão de samba e pagode, impulsionado pela presença do embaixador do palco, Belo, grande headliner do dia. A abertura ficou por conta do Balé dos Crias, que preparou o público para a chegada de Tiee. O cantor transformou o espaço em uma grande roda de samba, combinando sucessos autorais com clássicos do gênero e encerrando a apresentação com uma versão vibrante de “País Tropical”. A resposta do público veio em coro, com pedidos de bis e uma despedida marcada por muitos aplausos.
Na sequência, Mart’nália transformou o palco em cenário de celebração ao comemorar seu aniversário junto ao público. A cantora foi surpreendida pelo vice-presidente artístico da Rock World, Zé Ricardo, que levou flores e balões ao palco para uma homenagem acompanhada por milhares de vozes em um “Parabéns pra Você”. No repertório, sucessos como “Eu Vim de Lá” fizeram o público cantar junto, ao lado de clássicos do samba e da MPB. O encerramento, com “Água de Chuva no Mar”, reuniu a plateia em um grande coro.

Encerrando a programação do Espaço Favela, o embaixador do palco, Belo, levou ao palco um show repleto de sucessos foi acompanhado em coro por uma plateia lotada. Entre momentos de emoção e demonstrações de carinho do público, o cantor celebrou a importância de sua presença no festival e destacou a representatividade daquele palco para diferentes expressões da música e da cultura brasileira. “Esse show representa muito não só para mim, mas para todo o meu público, o povo preto da comunidade, do samba, funk, pagode, trap. É uma história sendo contada aqui”, afirmou.
No Supernova, Maui abriu a programação, seguido por Melly e Zeca Veloso, que levou ao palco o peso de uma trajetória familiar profundamente ligada à música brasileira. Alee encerrou a noite com uma apresentação que reforçou sua posição entre os nomes em ascensão da cena contemporânea. Já no Global Village, Wanda Sá abriu a programação em uma celebração da bossa nova e da música brasileira, seguida por Leila Pinheiro e Fernanda Takai. Joyce Moreno veio na sequência, trazendo sua sofisticação e trajetória de décadas, antes de João Bosco, homenageado do espaço nesta edição, encerrar a noite com um repertório marcado por poesia, virtuosismo e grandes clássicos da MPB.


















Comentários