Livro “Luar” evidencia história, cultura e imaginário da cidade de Igarapé-Miri

Na próxima quinta-feira (26) será lançada a obra literária “Luar”, escrita pelas professoras Crisálida Pantoja e Cesarina Lobato (em memória), dando seguimento às pesquisas relacionadas às transformações sociais no município de Igarapé-Miri (PA), cidade natal de ambas.

O lançamento em Belém acontecerá às 18h30 no escritório Central do Grupo Líder, no Auditório Jerônimo Rodrigues. Será uma solenidade para convidados, incluindo patrocinadores, familiares, amigos, colaboradores e personalidades da literatura paraense. No dia 23 de julho será realizada a cerimônia de lançamento do “Luar” em Igarapé-Miri, na Casa da Cultura.

O livro foi contemplado pelo Programa Estadual de Incentivo à Cultura – Lei Semear, obteve patrocínio do Grupo Líder e está sendo publicado pela Editora Paka-Tatu. O valor arrecadado com a venda dos exemplares será destinado a projetos sociais de Igarapé-Miri, um desejo das autoras.

Sobre o Luar – O livro traz um resgate histórico de Igarapé-Miri, que tem suas origens no ano de 1714, e aborda, entre outros assuntos, os ciclos da borracha, da cana-de-açúcar e do açaí, bem como, registra a cultura, vivências e impressões de quem nasceu e morou no município na época em que as tradições orais eram fortes e as pessoas “podiam sentar na calçada para conversar”. O livro traz histórias de: “amor, religião, educação, política, assombração e muita magia”, como destaca a professora Edna Heloísa Dias de Souza, quem prefaciou o livro.



A autora Crisálida comenta que os leitores encontrarão assuntos como o Festival do Açaí, a trajetória da educação no município, o comércio realizado por meio das embarcações, o curandeirismo, o importante trabalho das parteiras, os ilustres artistas mirienses como o Rei do Carimbó, Pinduca e a Rainha do Carimbó Chamegado, Dona Onete. O livro também aborda as estórias de personagens como boto, matintaperera, cobra-grande, yara e lobisomem; manifestações populares como as festas juninas e as pastorinhas, além de relatos fortes e comoventes como a Cabanagem em seu viés local e o registro do primeiro feminicídio na cidade.

O título do livro remete à influência do satélite da Terra, que faz parte do cenário místico de Igarapé-Miri. As fases da Lua são fenômenos que influenciam os mais variados acontecimentos naturais e sobrenaturais, conforme texto escrito por Cesarina.

Trata-se de um tempo em que havia poucas lâmpadas públicas das 18h às 23h, e ainda assim forneciam uma qualidade baixa de iluminação. Dessa maneira, o luar fazia muita diferença, permitindo ver melhor as coisas, pessoas, lugares, caminhos, ajudando também os comerciantes a navegarem em segurança pelos rios Tocantins e Amazonas, de acordo com “Noite de Luar”, um dos textos integrantes do livro.

Na elaboração do “Luar”, as autoras priorizaram talentos de seus conterrâneos, como o ilustrador e desenhista Rubens Portilho; a fotógrafa Giselle Pureza, a nutricionista Ana Carolina Martini, que traz um informativo sobre as qualidades nutricionais do açaí, entre outros.

O “Luar” é resultado de 15 anos de trabalho intermitente, em que as autoras se encontravam para trocar ideias, entrevistar pessoas de Igarapé-Miri e coletar documentos e informações para suas pesquisas. Munidas de caneta, papel, um gravador manual e muita vontade de registrar os fatos, encantos e curiosidades da amada cidadezinha, reuniram um vasto material que resultou nesta obra, que finalmente chega ao público.

Crisálida conta que está realizando um sonho seu e de sua amiga e coautora, Cesarina, falecida em novembro de 2020. “Já havíamos escrito o Prismas sobre Educação e Cultura em Igarapé-Miri no século XX, que versa sobre a evolução da educação no município. Já o Luar fala sobre a vida em Igarapé-Miri, de um tempo em que não tínhamos rádio e luz elétrica, em que havia um sistema de água e esgoto precário, mas era agradável, as pessoas se respeitavam, todos se conheciam e se cumprimentavam pelo nome”, relembrou.

Questionada sobre como as pesquisas ocorreram, conta que visitavam as pessoas e ouviam e documentavam os relatos em folhas de caderno. “Marcávamos um cafezinho na casa de uma das duas, e quando os textos estavam prontos, pedíamos para alguém digitar e íamos arquivando”, comentou.

Crisálida convida os apreciadores de boas histórias a lerem esse trabalho, pois afirma que irão se divertir com as curiosidades. “A intenção de escrever o Luar era resgatar o imaginário amazônida, ressaltando a cultura e a história mirense, para as gerações que não conheceram o dia a dia de uma cidade cheia de encantos e crendices. Uma das curiosidades é que cada lenda era contada de forma diferente a depender do narrador, cada pessoa tinha uma forma divertida de relatar a Matintaperera, por exemplo, ou a Lenda do Boto e as mais variadas histórias surgiam para o mesmo personagem.”, disse em tom descontraído.

Para Cezângela Lobato, filha de Cesarina, “foi uma grande responsabilidade dar seguimento a este projeto, idealizado pelas autoras há tanto tempo, se tornou também uma meta pessoal em que dediquei esforços como produtora cultural e organizadora da obra literária.”, afirma.

“Foi muito prazeroso trabalhar nesse projeto. O material compilado pelas autoras, precisava dos ajustes necessários para a edição, atividade que se tornou leve pois, pude relembrar histórias da minha infância e adolescência vividas em Igarapé-Miri, da festa de nossa padroeira Sant’Ana e da festa de São Sebastião da Boa União, no Rio Murutipucu, das quais participo até hoje. Assumi um compromisso com a minha mãe de publicar essa obra e com a colaboração de minha filha Sofia Lobato, também produtora e organizadora do livro, pudemos finalizar essa missão, desejo de toda a família e da coautora e nossa amiga Crisálida, por quem tenho muito respeito e admiração”, declara Cezângela.

A geógrafa e jornalista Maria das Graças Garcia, pertencente a Academia Paraense de Jornalismo e a Academia Literária Interiorana afirma que as contribuições que o livro resgata para a história são imprescindíveis, pois as autoras abordam as transformações do espaço urbano, ocorridas no decorrer do tempo. “É um trabalho importante para os mirenses, e por que não dizer para os brasileiros? Ressalta o caminho da história das cidades brasileiras, com suas peculiaridades e as mudanças ocorridas ao longo dos tempos, principalmente em decorrência do êxodo rural e suas consequências de infraestrutura física e social que enfrentamos no cotidiano do ambiente urbano, vivenciados hoje nos micros centros urbanos”, explicou.

Maria das Graças considera que esta obra se soma a outros livros de pesquisadores mirienses. Alguns deles, inclusive, são utilizados pelas autoras como referencial teórico. “O estudo da formação do espaço urbano é de grande relevância para a atual geração, para compreensão das transformações sociais ocorridas no decorrer do século, o que possibilita a conscientização da necessidade de preservar o meio ambiente e valorizar a história de seu torrão natal. Este livro é uma preciosa fonte de informações históricas e sociais sobre a vida no século XX”, completou.

Sobre as autoras - Crisálida Pantoja Soares formou-se em Letras pela Universidade Federal do Pará e sempre esteve a serviço da educação em Igarapé-Miri. Cesarina Lobato tem formação em Pedagogia e especialização em Planejamento Educacional, ambos pela UFPA – Universidade Federal do Pará. As duas autoras fizeram a estreia na literatura em 2001 com o livro Prismas Sobre Educação e Cultura em Igarapé-Miri no Século XX. São referências como educadoras e conhecedoras das raízes socioculturais do município; responsáveis pela implantação do Ginásio Aristóteles Emiliano de Castro e do Projeto SOME – Sistema de Organização Modular de Ensino.

SERVIÇO – Lançamento do Livro “LUAR”

Data: 26 de maio, quinta-feira

Hora: 18h30min

Local: Escritório Central do Grupo Líder – Auditório Jerônimo Rodrigues

Endereço: Rua dos Pariquis, n. 1056, Jurunas – Belém/PA

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