top of page

Mostra Ecofalante de Cinema realiza segunda mostra no Pará com mais de 40 filmes e debates

  • 17 de ago. de 2025
  • 7 min de leitura

A Mostra Ecofalante de Cinema chega ao Pará pela segunda vez consecutiva para exibir 45 filmes, entre 20 de agosto e 3 de setembro. Desta vez, quase 60% da sua programação é composta por filmes dirigidos por mulheres. O festival, reconhecido como o mais importante evento sul-americano para a produção audiovisual ligada às temáticas socioambientais, destaca a participação feminina no cinema nacional e internacional, incluindo diretoras paraenses como Aldira Akay, Beka Munduruku, Rilcélia Akay e Priscilla Brasil. Todas as sessões e debates tem entrada franca e ocorrerão no Cine Líbero Luxardo e no Sesc Ver-o-Peso, reforçando o compromisso do evento com a democratização do acesso à cultura cinematográfica.

Nesta edição, a Mostra Ecofalante Pará presta homenagem ao cineasta Hermano Penna, celebrando seu legado com a exibição de "Fronteira das Almas" e "Sargento Getúlio". Penna nasceu no Ceará e sua obra é caracterizada por filmes com temáticas ligadas,sobretudo, ao Norte e Nordeste, como a questão dos povos indígenas e o cangaço. Grande vencedor do Rio Cine Festival, onde acumulou os prêmios de melhor filme, direção, roteiro, fotografia, montagem e som, “Fronteira das Almas” (1987) é baseado na situação agrária do país, narrando as dificuldades enfrentadas por um grupo de agricultores no interior de Rondônia. No seu elenco estão reunidos nomes como Antônio Leite, Suzana Gonçalves, Fernando Bezerra e Marcélia Cartaxo.

Já “Sargento Getúlio”, considerado um clássico do cinema brasileiro, é uma adaptação do livro homônimo de João Ubaldo Ribeiro que acompanha Sargento Getúlio e o motorista Amaro viajando no cumprimento da missão de transportar um preso político de Paulo Afonso (BA) até Aracaju (SE).

Durante a viagem, a situação política se altera e o sargento recebe ordens de soltar o preso. Desconfiado, ele insiste em prosseguir, o que o transforma em inimigo da ordem. Perseguido e sentindo-se traído, Getúlio vê no cumprimento da missão a única razão de sua existência. O elenco é composto por nomes como Lima Duarte, Fernando Bezerra, Orlando Vieira e Flávio Porto. O longa foi vencedor do prêmio de melhor direção no Festival de Locarno; melhor filme, melhor ator, melhor ator coadjuvante, melhor técnico de som e do prêmio da crítica no Festival de Gramado; Prêmio da Federação de Cineclubes/Unesco no Festival do Terceiro Mundo (França); e o prêmio especial do júri no Festival de Havana.

Destaques - A abertura da Mostra será marcada pelo filme "Não Haverá Mais História Sem Nós", da cineasta paraense Priscilla Brasil, que denuncia o histórico processo de exploração da floresta amazônica e revela como o racismo se organiza na ideia do "vazio demográfico". A sessão para convidados ocorrerá no dia 20 de agosto, às 19:00, no Cine Líbero Luxardo.

O festival terá como atração especial a exibição de "Pau D'Arco", premiado como Melhor Longa-Metragem pelo Júri da Mostra Ecofalante de 2025, realizada em junho deste ano em São Paulo. O documentário da diretora Ana Aranha acompanhou durante sete anos os desdobramentos de uma chacina que matou dez sem-terra em uma fazenda no sudeste do Pará. A sessão será seguida de debate e contará com a presença da diretora e do advogado, defensor de Direitos Humanos e um dos protagonistas do documentário, José Vargas Junior.

Vozes femininas e amazônicas - Os filmes dirigidos por mulheres na Mostra Ecofalante abordam temáticas de resistência, justiça social e protagonismo feminino. O festival dá especial destaque a “Mundurukuyü - A Floresta das Mulheres Peixe", dirigido pelas cineastas paraenses Aldira Akay, Beka Munduruku e Rilcélia Akay. O filme espelha a cosmologia Munduruku, onde humanos, na origem do mundo, se transformaram em florestas, plantas e animais, e foi selecionado no importante festival Hot Docs, no Canadá. No curta-metragem, "Nosso Modo de Lutar", as diretoras Francy Baniwa, Kerexu Martim e Vanuzia Pataxó oferecem um olhar único sobre a resistência indígena contemporânea.

O documentário mergulha no cotidiano do 20° Acampamento Terra Livre (ATL), a maior mobilização indígena do país, revelando como este espaço de luta política também funciona como um encontro de saberes ancestrais e práticas culturais diversas. A grade de programação reúne ainda outras produções dirigidas por mulheres, como "Neve Negra", de Alina Simone, que retrata uma ecoativista siberiana apelidada de "Erin Brockovich da Rússia"; e "Democracia Noir", de Connie Field, vencedor do prêmio de melhor documentário no Festival de Boston. Um ponto alto da Mostra será a exibição de “São Palco - Cidade Afropolitana”, dos diretores Rose Satiko Gitirana Hikiji e Jasper Chalcraft.

Vencedor do Prêmio do Público de Melhor Longa-Metragem da Mostra Ecofalante 2025. Tentando responder a pergunta “o que artistas africanos que chegaram ao Brasil nos últimos anos carregam consigo na travessia?”, o documentário apresenta a cidade de São Paulo como um meta-palco ocupado por artistas do Togo, Moçambique, República Democrática do Congo e Angola, entre outras nações africanas, em diálogo com a população brasileira e suas aberturas, contradições e tensões.

A sessão de encerramento do festival traz "Quem É Essa Mulher?", de Mariana Jaspe, no dia 03 de setembro, às 17h, no Sesc Ver-O-Peso. O documentário acompanha uma pesquisadora da periferia de Salvador em sua jornada para desvendar a trajetória de Maria Odília Teixeira, neta de uma ex-escravizada que se tornou a primeira médica negra do Brasil. Exibido no Olhar de Cinema - Festival Internacional de Cinema de Curitiba, Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul - Brasil, África, Caribe, Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, Fest Aruanda do Audiovisual Brasileiro e no Festival Internacional de Cinema de Realizadoras (Pernambuco, o filme é um poderoso retrato sobre representatividade e reparação histórica da população afrodescendente no Brasil.). Esquenta para a COP 30 - A programação da Mostra Ecofalante Pará dialoga diretamente com os temas centrais que serão debatidos na COP30, oferecendo uma reflexão cinematográfica sobre as principais questões da agenda climática global. Os filmes abordam mudanças climáticas através de obras como "O Efeito Casa Branca", que revela as origens políticas da crise climática atual, e "A Campanha Contra o Clima", expondo como campanhas de desinformação atrasaram por décadas o combate ao aquecimento global. A justiça climática ganha destaque em produções como "Nossa Terra, Nossa Liberdade", que documenta a luta por terras ancestrais no Quênia.

A sustentabilidade e os impactos da poluição são expostos em "Feitos de Plástico". O documentário investiga o uso irrestrito do plástico e a crescente ameaça dos microplásticos à saúde humana.

Quase todo o plástico já produzido se decompõe em microplásticos. Essas partículas microscópicas flutuam no ar, na água e se misturam ao solo, tornando-se uma parte permanente do meio ambiente. Agora, cientistas estão encontrando essas partículas em nossos corpos: órgãos, sangue, tecido cerebral e até mesmo nas placentas de novas mães. Qual é o impacto desses invasores invisíveis em nossa saúde? E há algo que possa ser feito a respeito? Debates -

A programação inclui três debates essenciais para os tempos de emergência climática. No dia 21/08, às 19h30, no Cine Líbero Luxardo, após a exibição de "Feitos de Plástico", estará no centro das discussões a poluição por plásticos e microplásticos. Também no Cine Líbero Luxardo, no dia 23/08, às 19h, após a sessão de “Pau D’Arco”, haverá debate, com a presença da diretora e de um dos protagonistas do documentário, sobre questões como concentração fundiária, impunidade, defesa dos direitos humanos e direitos territoriais na Amazônia.

Já no dia 28/08, às 18h30, o Sesc Ver-o-Peso sedia um debate sobre aquecimento global e mudanças climáticas após a sessão de "A Campanha Contra o Clima". Múltiplos - A diversidade de olhares sobre territórios, seus povos e memórias marca a Mostra Ecofalante Pará do início ao fim. Em “Tesouro Natterer”, de Renato Barbieri, revela a imensa coleção natural e o maior acervo etnográfico sobre povos indígenas do Brasil, hoje preservado em dois dos principais museus de Viena, Áustria.

O filme foi vencedor de competições no É Tudo Verdade e no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Premiado no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, “Topo”, de Eugenio Puppo, mostra como obras de infraestrutura e o crescente desenvolvimento turístico estão impactando cada vez mais a vida dos habitantes de uma pequena cidade no litoral paulista. Por sua vez, “Lista de Desejos para Superagüi”, com o qual o cineasta Pedro Giongo foi vencedor do prêmio de melhor filme da Mostra Aurora na Mostra de Tiradentes, se passa em uma mítica ilha no litoral Sul do Brasil onde um pescador de 70 anos ainda não conseguiu se aposentar. Eleito como melhor filme brasileiro na Mostra Internacional de Cinema em São Paulo, “Intervenção”, de Gustavo Ribeiro, narra as vidas dos residentes em duas favelas e um projeto habitacional da capital paulista, destacando a resistência dos moradores da área mais ricas diante de projetos de urbanização (movimento conhecido como "não no meu quintal").

Já as relações de trabalho entre campo e cidade movem a vida dos personagens do longa “O Rancho da Goiabada, ou Pois é Meu Camarada, Fácil, Fácil Não é a Vida”, dirigido por Guilherme Martins. Infantil - As crianças podem curtir a Sessão Infantil Curtas FIFE, em parceria com o Festival Internacional de Cinema de Educação da França. Serão sete filmes, dos quais cinco são dirigidos por mulheres, produzidos em países como Brasil, EUA, França, Rússia, China e Noruega. Educação - Em parceria com a Secretaria de Educação do Estado do Pará (SEDUC), através da Coordenação de Educação Ambiental, e as Usinas da Paz de Marituba e Cabanagem, da Secretaria de Articulação e Cidadania (SEAC), serão realizadas sessões educacionais com escolas da rede pública selecionadas da cidade de Belém, no Cine Líbero Luxardo e nas Usinas da Paz da Cabanagem e de Marituba.

Além disso, acontecerão exibições em escolas de ensino público de nível fundamental, médio e EJA nas cidades de Belém, Ananindeua, Marituba e Benevides. Os filmes selecionados partem do catálogo da plataforma educacional gratuita Ecofalante Play. Turmas dos Ensinos Fundamentais I e II poderão assistir e aprender com as animações de temáticas socioambientais como “Floresta que Refresca”, “Vellozia”, “Aurora - A Rua Que Queria Ser um Rio”, “Caminho dos Gigantes”, “Auto-fitness” e Ep. 1 e 2 da série “Carbono: o que você precisa saber”. As instituições de ensino superior Universidade Federal do Pará (UFPA), Instituto Federal do Pará (IFPA), Universidade do Estado do Pará (UEPA), Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), UNAMA (Universidade da Amazônia) e Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), também receberão sessões da Mostra. Para conferir a programação completa da Mostra Ecofalante Pará acesse https://ecofalante.org.br/programacao e acompanhe nossas redes sociais.


 
 
 

Comentários


bottom of page