Nic Dias lança clipe polêmico de música antiracista

A letra raivosa e polêmica de “Remédio pra Racista é Bala” ganhou imagens igualmente potentes no videoclipe que será lançado na próxima quinta-feira, 17 de junho. Traduzindo versos como “rima de preto é carnificina”, a rapper Nic Dias, ao lado do cineasta paraense Vlad Cunha, desenhou uma resposta à altura do genocídio da juventude negra brasileira, um dos resultados da cultura do racismo no país. A música chega nas plataformas de streaming à meia noite, enquanto o clipe estreia no canal da artista às 14h. “Remédio pra Racista é Bala” anuncia o primeiro EP de Nic, “1.9.9.9.”, projeto aprovado pela Lei Aldir Blanc Pará com produção executiva da Psica Produções.

Narrando a reconquista do poder do povo preto e a destituição do império branco, a letra da música evoca polêmica por contar a história de um assassinato como via para rebater o racismo institucional. No clipe, a artista é a protagonista de um sequestro e da tortura de um personagem que representa a força opressora racista e facista presente hoje no Brasil. “Eu acredito que não há como ter justiça sem equidade, sem ter uma reação pro racismo que as pessoas cometem. ‘Remédio pra Racista’ é justamente essa reação. Tudo que a gente faz gera um efeito e violência gera violência”, justifica Nic sobre a música, já conhecida pelo público que frequenta os shows. “As pessoas se identificaram muito com as coisas que eu falo nela e acho que precisava de alguém pra falar sobre isso”.

A violência sofrida pelo povo preto no Brasil é um dos temas centrais da obra de Nic Dias, poeta e rapper natural de Icoaraci, distrito suburbano da capital paraense. Desde os 14 anos, Nic escreve poemas e crônicas sobre a realidade que vive ao lado de sua mãe, que sempre a acompanha nos palcos, e do que sofre na pele nas ruas. Recentemente, a artista sobreviveu a um episódio de agressão que quase custou sua vida. Trauma que a mudou profundamente e que teve impacto em sua obra, seja pelo teor denunciativo ou pelo lado festivo de suas letras, que celebra a beleza e as conquistas do povo preto e periférico. Para dar cor e ainda mais vida ao universo da letra de “Remédio pra Racista é Bala”, Nic teve parceria do jornalista, documentarista e cineasta paraense Valdimir Cunha, que já dirigiu filmes para Dona Onete, Felipe Cordeiro, Molho Negro, e assina co-direção no documentário Brega S/A. Vlad se inspirou no universo estético do grindhouse dos anos 70, marcado pela decadência urbana, o desencanto e a violência contada através de peças de baixo orçamento. Essa violência de gangues urbanas dos Estados Unidos no período da Guerra do Vietnã foi traduzida para o sentimento de revolta da população negra brasileira. “O clipe é uma tradução do sentimento de tá no limite, que é isso que a letra da Nic fala muito. Até que ponto alguém aguenta e consegue viver com essa violência racista cotidianamente e intermitente? A gente começou a construir esse universo dessa gang, dessa galera que a Nic tem, que é muito diversa fisicamente, muito bonito, muito legal de ver, e que ao mesmo tempo tá ali com ela numa situação de dar o troco, numa fotografia muito claustrofóbica, que é de propósito”, detalha Vlad sobre o videoclipe.

O single e o videoclipe de “Remédio pra Racista é Bala” será lançado na próxima quinta-feira, 17 de junho, em todas as plataformas de streaming de música e no canal do YouTube de Nic Dias, às 14h. O lançamento é resultado do projeto do EP “1.9.9.9.” aprovado pela Aldir Blanc Pará. LANÇAMENTO DO CLIPE “REMÉDIO PRA RACISTA É BALA” 17 de junho (quinta) Às 14h no Youtube 00h em todas as plataformas de streaming de música

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