Norte brilha no MASP: museu abre primeira exposição do curador paraense Mateus Nunes
- blognewschristian
- 1 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Mateus Nunes começa a escrever seu nome na história do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand - MASP. Atualmente o único nortista e também o mais jovem em uma das instituições de arte mais prestigiadas do país, ele assina, ao lado de Adriano Pedrosa, a curadoria da exposição “André Taniki Yanomami: ser imagem”, que abre na sexta-feira (5/12).
Aos 28 anos, Mateus celebra a conquista. Nascido em Belém do Pará, ele começou a trajetória profissional com formação em arquitetura e urbanismo pela Universidade Federal do Pará (UFPA), e seguiu para o doutorado em História da Arte na Universidade de Lisboa, em Portugal. Os primeiros trabalhos no circuito de arte contemporânea foram escrevendo textos sobre exposições para revistas de crítica de arte, que geraram convites para escrever textos de exposições, colaborar com galerias, desenvolver projetos, publicar livros, curar exposições no Brasil e no exterior - até o convite para integrar o time de curadores do MASP, no início de 2025.

“Considero as trocas de experiências e perspectivas com os profissionais dentro de uma instituição tão respeitada quanto o MASP um dos pontos mais positivos do meu posto. Isso incentiva a ampliação de formas de pensar e de escutas de agentes que reiteram a vastidão e a pluralidade do país em que vivemos. Ao mesmo tempo, esse movimento, ainda que inicial, dignifica a história de uma parte gigante do país que ainda é pouco ouvida nas grandes instituições e, por isso, pouco representada. Estar nessa posição me deixa bastante esperançoso pelas inserções de muitas pessoas da região em instituições de referência”, comemora Mateus.
Exposição de estreia
Mateus assina, como curador assistente a exposição, “André Taniki Yanomami: ser imagem”, que reúne 121 desenhos produzidos entre 1976 e 1978 por André Taniki Yanomami, artista-xamã da Terra Indígena Yanomami, Roraima. O nome da exposição, “ser imagem”, vem de uma expressão yanomami, “në utupë”, que se refere ao núcleo vital de cada ser. A mostra fica aberta entre 5 de dezembro de 2025 e 5 de abril de 2026, no MASP.
“Estou muito feliz com a exposição por diversos motivos, mas principalmente por honrar a obra artística de Taniki, certamente um dos maiores artistas cujo trabalho tive a sorte de trabalhar, e por evidenciar as diversas formas de se pensar e viver no Norte do Brasil”, observa Mateus.
Atuação internacional
Além da exposição de Taniki, Mateus Nunes segue com mais trabalhos de grande relevância em cartaz. Um deles é a exposição “Amazônia Açu”, na Americas Society, em Nova York, em que colaborou com mais oito curadores, um de cada um de um país da Amazônia. A exposição almeja apresentar a Amazônia como um organismo transnacional, que transborda as fronteiras nacionais e que é associado usualmente ao Brasil, exibindo trabalhos de artistas do Equador, da Colômbia, da Venezuela, da Guiana, da Guiana Francesa, do Suriname e do Peru.
Também em Nova York, Mateus realizou exposições individuais de artistas brasileiros importantes no cenário global, como a de Lucas Arruda, na galeria David Zwirner, e as de Paulo Nimer Pjota e Paula Siebra, ambas na Mendes Wood DM. Ainda nos EUA, tem participado de simpósios acadêmicos apresentando pesquisas sobre arte na Amazônia na New York University, na Columbia University e no Institute for Studies on Latin American Art (ISLAA).
Mateus também mantém a prática da escrita crítica sobre exposições que visita no Brasil e no exterior, com textos em revistas internacionais especializadas em crítica de arte, como Artforum, ArtReview, Flash Art, Frieze e Mousse. Ele ainda é professor visitante na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, onde fez um de seus pós-doutorados.


















Comentários