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Novo espetáculo de Ester Sá “Bença Vovó” revela atrajetória de mulheres no Boi de Máscaras de São Caetano de Odivelas

há 4 horas
4 min de leitura

Em São Caetano de Odivelas, no nordeste paraense, bois de quatro pernas, pirrus,

cabeçudos, buchudos e outros personagens fantásticos ocupam as ruas durante a

quadra junina. Entre máscaras, fantasias coloridas e uma multidão de brincantes, a

cidade transforma suas ruas em um território de invenção coletiva, onde a tradição

vem se renovando a cada geração.

Foi nesse universo de encantamento que a atriz, diretora e contadora de histórias

Ester Sá descobriu uma personagem que despertou sua curiosidade: a Vovozona, uma

mulher velha, de corpo volumoso, que dança e brinca no meio do cortejo. Esse

encontro com a personagem deu origem ao espetáculo “Bença Vovó”.



A montagem estreia nos dias 6 e 7 de novembro, às 19h, na Casa das Artes, em Belém.

Também será apresentada em Ananindeua, no dia 11, e em São Caetano de Odivelas,

no dia 14 de novembro. O projeto faz parte do projeto Vovozona e a Mulher em

Odivelas, realizado com apoio do Edital no 02/2025 – Fomento à Criação de Projetos

Culturais, Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB-PA).

Com dramaturgia e atuação de Ester Sá, direção compartilhada com Aníbal Pacha,

também responsável pela concepção da visualidade do espetáculo, o trabalho

incorpora máscaras criadas pelo Mestre Daniel Ferreira de Melo, figurinos e cenário

confeccionados por Nanan Falcão, além de pinturas de And Santtos e Maurício Francco

e produção de Cristina Costa.


Ester Sá conta que ouviu falar pela primeira vez nessa personagem do Boi de Máscaras

em uma conversa com o artista And Santtos, natural de São Caetano de Odivelas, que

falou para Ester sobre o surgimento da Vovozona e lhe mostrou registros que

despertaram nela outras inquietações.

“Eu sou encantada com a manifestação, por essa liberdade e criatividade do povo

nessa composição coletiva que é o Boi de Máscaras. Fiquei curiosíssima sobre a

personagem, ainda mais por ser uma mulher ancestral, uma avó”, conta Ester Sá.

Em cena, Ester Sá conduz a narrativa com depoimentos, memórias e reflexões em uma

dramaturgia que aproxima a experiência das mulheres da terra e dos ciclos da vida. “O

elemento terra é usado como metáfora na encenação, como se do leito da terra

brotassem as imagens profundas do inconsciente coletivo que contam essa trajetória.

A avó é aquela que sempre esteve ali. Ela viu tudo, ela sabe tudo, ela é a voz

ancestral”, afirma Ester.

Mulheres conquistam o lugar no cortejo

A curiosidade de Ester se transformou em pesquisa antes de chegar a esta estreia. Ela

retornou ao município para investigar mais a fundo a origem da Vovozona e descobriu

que ela nasceu da criatividade do Mestre Daniel Ferreira de Melo, que, ao tecer um

buchudo, personagem de criação livre dentro do Boi de Máscaras, inspirou-se em sua

avó, mulher que o criou e lhe transmitiu ensinamentos que permaneceram por toda a

vida.

Dona Exídia Ferreira de Melo tinha personalidade forte e muito respeitada,

pertencente à família ligada à criação do Boi Tinga, o primeiro da manifestação e,

durante muito tempo, o único boi da brincadeira. Na época, ela não tinha permissão

para participar dos cortejos.

Ester Sá também buscou, nas memórias de outras mulheres de São Caetano de

Odivelas, histórias que nem sempre aparecem quando se conta a trajetória do Boi de

Máscaras. Nos primeiros tempos, os cortejos eram exclusivamente masculinos.

Mulheres que tentassem participar, mesmo mascaradas, poderiam ser retiradas da

brincadeira caso fossem reconhecidas. Algumas desafiaram as regras e, aos poucos,

começaram a quebrar essa barreira. Hoje, as mulheres participam muito mais de toda

a manifestação.

Os buchudos femininos são a prova de que toda cultura é viva. Ao ganhar corpo nas

ruas, a Vovozona acrescenta uma nova imagem feminina a uma brincadeira na qual as

mulheres já conquistaram espaços de participação e protagonismo. A brincadeira

incorporou também a Bisa, uma figura feminina gigante que participa do

encerramento da quadra junina.


“Em 2026, ela apareceu bem à frente do cortejo, acompanhada pelas outras vovós”,

lembra Ester. “A mulher velha dançava e tinha a mão erguida, numa imagem que me

marcou”, continua.

Na leitura da artista, a avó, cuja presença evoca tantas gerações de mulheres, parecia

abrir o caminho para todos. “Para mim, sua mão levantada ganhou outra dimensão.

Mestre Daniel me explicou que o gesto representa o movimento da dança. Eu também

vejo nele uma bênção aos brincantes”, conclui Ester.

Após a estreia em Belém, o espetáculo segue para Ananindeua, município da Região

Metropolitana da capital paraense, no dia 11 de novembro, e chega a São Caetano de

Odivelas no dia 14. Na cidade onde nasceu a Vovozona e onde a pesquisa de Ester Sá

ganhou novos sentidos, a expectativa é de um encontro especial entre a criação

artística e a comunidade que inspirou o espetáculo.

Oficina: Integrando o projeto, a atriz, diretora e contadora de histórias Ester Sá

ministra, no dia 19 de novembro, das 18h às 20h, a Oficina de Teatro Narrativo, na

Casa das Artes, em Belém. A atividade propõe uma aproximação com os processos de

criação do espetáculo “Bença, Vovó!” e de outros trabalhos narrativos desenvolvidos

pela artista. Combinando relatos de experiência e exercícios práticos de composição

narrativa, a oficina tem duração de duas horas e oferece 20 vagas, com declaração de

participação.

Serviço

Espetáculo: “BENÇA VOVÓ”

Belém

6 e 7 de novembro de 2026, às 19h

Casa das Artes - Rua Arcebispo Dom Alberto Gaudêncio Ramos, no 236, ao lado do

Santuário Basílica de Nazaré.

Ananindeua

11 de novembro de 2026, às 16h

Usipaz Icuí

São Caetano de Odivelas

14 de novembro de 2026, às 19h

Centro Cultural do Município

Fomento: Projeto contemplado pelo Edital de Chamamento Público no 02/2025 –

Fomento à Criação de Projetos Culturais, no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de

Fomento à Cultura (PNAB).


Ficha técnica

Pesquisa: Ester Sá e Aníbal Pacha

Dramaturgia e atuação: Ester Sá

Direção: Aníbal Pacha e Ester Sá

Concepção da visualidade: Aníbal Pacha

Consultoria técnica em iluminação: Marckson Moraes

Produção: Cristina Costa

Assistência de cena e produção: Thiago Ferradaes

Criação de máscaras e figurino da Vovozona: Mestre Daniel Ferreira de Melo

Confecção de figurinos e cenário: Nanan Falcão

Pintura de cenário (imagens): And Santtos

Pintura de cenário (nomes): Maurício Francco

Composição da música original do Boi Tinga: Mestre Silvano Garça

Edição de áudios: André Mardock

Assessoria de imprensa: Luciana Medeiros – Holofote Virtual

Arte gráfica e edição de vídeos: Lucas Serejo

Filmagem: Raul Lima e André Mardock

Intérprete de Libras: Gessica Pimentel

Audiodescrição: Lucas Martins

 
 
 

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