Novo livro sobre Surf na Pororoca será lançado nesta quinta-feira(25), em Belém

Nesta quinta-feira, dia 25, os amantes do do Surf na Pororoca no estado do

Pará têm um encontro marcado, a partir das 20h, no Café Casa NaMata, para o Lançamento da 2ª

Edição do Livro de Noélio Sobrinho intitulado "Auêra Auara: Pororoca - A Onda do Brasil"

O encontro promete reunir os principais representantes do surfe paraense, além de autoridades, para a celebração de mais uma conquista desse esporte.

O mais novo livro de Noélio Sobrinho, além de ser uma atualização da 1ª Edição, também traz

imagens inéditas da mais nova fronteira do surfe de maré no Brasil, a Pororoca de Chaves, no

Arquipélago do Marajó, registradas em expedição com grandes nomes do surfe nacional durante

a Lua Cheia de abril de 2022. Além disso, muitas informações, adquiridas em mais de 200

expedições, podem ser encontradas reunidas nas mais de 200 páginas desse livro que é um

verdadeiro marco documental sobre um dos fenômenos mais intrigantes da natureza brasileira.



O evento é gratuito e na ocasião serão sorteados vários exemplares. Vale a pena conferir e quem

sabe, sair de lá com o mais curioso livro de surfe editado no ano de 2022 em todo o Brasil.


A HISTÓRIA DO GRANDE ESTRONDO


No ano de 1998 um grupo de quatro pioneiros desbravadores adentraram a Floresta Amazônica

em busca do Fenômeno Natural conhecido pelos índios e ribeirinhos como Poroc-Poroc, o

Grande Estrondo. Munidos apenas de um jet ski, um pequeno barco e muita coragem e fé, os

quatro amigos enveredaram na imensidão da mata, mais precisamente no Canal do Perigoso,

localizado no Arquipélago do Marajó-PA e se depararam com uma das maiores descobertas dos

esportes radicais modernos: a onda da pororoca.

Ir ao Marajó, por si só, já é uma grande aventura e uma experiência inesquecível e que vale a

pena ser vivida. A Rota do Queijo Marajoara, a imersão na natureza, a grandeza da floresta, o

oxigênio puro e a magnitude dos rios é algo impressionante até mesmo para quem está habituado

ao cenário. Adicione-se a tudo isso jet skis, bananas-boat, lanchas na água, helicópteros e um

bando de loucos por ondas grandes, longas e perfeitas e teremos a receita de algumas das mais

exóticas e radicais experiências que um ser humano pode ter na natureza.

Contudo, ainda existe muita superstição, mitos e lendas em torno do que seja a pororoca e em

todos esses anos, a Associação Brasileira de Surf na Pororoca-ABRASPO, vem se dedicando a

desbravar lugares, desmistificar essas lendas e levar o fenômeno ao maior número possível de

pessoas, sejam elas surfistas ou entusiastas que acompanham as matérias e reportagens que

sistematicamente costumam circular pelo mundo.



Nesses 24 anos a ABRASPO realizou Campeonatos Brasileiros de Surfe, Bodyboarding,

Longboard, SUP, Expedições Científicas, reportagens para o Fantástico, Esporte Espetacular,

Globo Esporte, Bom Dia Brasil, JN, JH, Canal Off (da Rede Globo), Domingo Espetacular,

Record News, Canal Woohoo, CNN, BBC, CCTV da China-Ao Vivo, TV The France, TV SIC

de Portugal, NHK e Nipon Television do Japão, TV EFE da Alemanha, The Wall Street Journal,

New York Times, entre inúmeros outros veículos através de parceria com a Agência

Internacional Reuters,etc. Definitivamente, o Grande Estrondo virou um SUCESSO ESTRONDOSO MUNDIAL!


POROROCA – PATRIMÔNIO CULTURAL E IMATERIAL DO ESTADO DO PARÁ

Desde que os pioneiros chegaram pela primeira vez ao Marajó e constataram a existência do

fenômeno da pororoca naquela região muita coisa mudou e o fenômeno hoje, como sabemos, já é

conhecido nos quatro cantos do mundo.

A mais recentemente conquista do Surfe na Pororoca foi sua ascensão à categoria de Patrimônio

Cultural e Imaterial do Estado do Pará, provando seu valor e importância, não somente para o

esporte, mas também para a cultura e identidade do povo brasileiro. Esse foi um dos principais

desdobramentos das ações da ABRASPO, que continua a vislumbrar um horizonte próspero para

as comunidades que têm o privilégio de receber o fenômeno. Um exemplo disso foi a realização

do 24º Surf na Pororoca, do município de Chaves-Marajó-PA. A implantação da 1ª Escolinha de

Surf na Pororoca do município de Chaves, que contou com as presenças ilustres de Fábio

Gouveia, Raoni Monteiro e Lucas Fink, foi um marco para o posicionamento de Chaves em um

contexto turístico impulsionado pela cadeia produtiva da Pororoca. Sem sombra de dúvidas, em

muito breve veremos jovens chavenses trabalhando como guias turísticos, pilotos de jet skis,

Práticos de Navios, fotógrafos, videomakers, agentes de turismo e principalmente, surfando a

pororoca e com isso, impulsionando a economia do município e mudando vidas.

Mas, o fenômeno não se resume somente à onda. Luta Marajoara, o carimbó, a exótica

gastronomia da Região Norte do Brasil, a exuberância do Rio Amazonas e da Floresta

Amazônica e muitas outras experiências compõem um cenário único que impressiona qualquer

visitante e demonstra um potencial gigantesco de crescimento e geração de emprego e renda e

que depois de mais de duas décadas marca o início de uma nova era na exploração das pororocas

brasileiras.


RITUAL DAS ÁGUAS AUÊRA AUARA

Usando pintura tribal ao redor de uma fogueira, os surfistas de pororoca, autointitulados

Guerreiros da Tribo dos Auêra Auara, sempre que se preparam para enfrentar os desafios do surf

na floresta, ouvem as palavras do Arauto da Pororoca, Marcelo Bibita, que lembra a todos a

importância da ação de cada um em preservar a natureza e sobretudo, respeitar a cultura local,

como forma de tornrem-se merecedores de desfrutar o melhor que a floresta tem a oferecer,

principalmente as ondas da pororoca:


“O Ritual das Águas Auêra Auara foi a maneira que nós encontramos para sempre estarmos

lembrando e passando adiante a reflexão sobre a importância da preservação do meio ambiente e

que apenas os seres humanos podem desfazer o que outro ser humano fez de errado... Tem mais

a ver com uma peça, uma encenação teatral, do que com uma cerimônia religiosa propriamente

dita. Mas, uma coisa é fato, dá certo, porque depois do ritual sempre vem uma boa pororoca e

cada vez mais espalhamos essa consciência por onde quer que andemos”, explicou Bibita.

A JOIA DO MARAJÓ – O TAITI DAS POROROCAS

Os surfistas de pororoca até podem ter perdido a onda que um dia foi chamada de Havaí das

Pororocas, com a extinção da Pororoca do Rio Araguari, no Amapá. Mas, a partir da descoberta

da melhor pororoca já surfada na Região do Marajó, esta poderá se tornar o Taiti das Pororocas,

a atual maior e mais potente onda de maré que se tem registro na Região Norte do Brasil.


POROROCA SEM FRONTEIRAS

Desde o ano de 1998 o Canal do Perigoso, no Arquipélago do Marajó, está no radar da

ABRASPO e de qualquer caçador de pororoca que se preze. Das quase 550 Luas (Cheias e

Novas), Noélio Sobrinho surfou em mais de 200 e segundo ele, objetivo é surfar todas as luas

daqui pra frente.

Contudo, a pororoca não se restringe aos rios paraenses e entre eventos, surf trips e expedições

exploratórias, já foram mapeadas 28 diferentes pororocas:

Amapá: Sucuriju, Rio Congo, Arquipélago do Bailique, Rio Mandubé, Município de Amapá,

Caborangi, do Rio Caciporé do Oiapoque;

Pará: Pororoca do São Gusmão, Rio Capim, Toyo, no Rio Guamá, a Pororoca do Igarapé dos

Paus, no município do Bujaru, a pororoca da comunidade de Pernambuco, no município

Inhagapi, no Marajó temos a Pororoca do Canal do Perigoso, da Ilha das Pacas, do Limão, do

Arrozal, Caviana de Dentro, do Pracutuba, do Pernambuco, do Livramento, da Ilha Nova, do

Papo-Amarelo e mais recentemente, a Pororoca do Pantanal, a melhor descoberta dos últimos

anos;

Maranhão: Pororoca do Rio Mearim, do Rio Pindaré, da Ilha do Caranguejo, no município de

Anajatuba, do Rio Turiaçu, no município de Santa Helena, dentre outras que ainda não foram

mapeadas.


POROROCAS INTERNACIONAIS MAPEADAS PELA ABRASPO

Mascaret-França

Silver Dragon-China

Bono-Sumatra-Indonésia;

Venezuela no Rio Orinoco.

CURIOSIDADE


No Início achava-se que a pororoca só quebrava nos meses de janeiro a abril. Contudo, com as

sucessivas expedições exploratórias e Surf Trips observou-se que o volume da água na cabeceira

do rio influencia diretamente no tamanho da pororoca e que o fenômeno ocorre o ano inteiro, em

toda Lua Cheia e toda Lua Nova.


SERVIÇO

Evento: Lançamento do Livro Auêra-Auara: Pororoca, a Onda do Brasil, de Noélio Sobrinho;

Local: Café Casa Namata. Rua Conselheiro Furtado, 287-Belém-PA;

Data: 25/08;

Horário: 18h.

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