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“On no Rap” discute cena musical da Amazônia com Bruna BG

  • há 7 horas
  • 4 min de leitura

Neste sábado, dia 18, a Associação Sociocultural Outros Nativos (Ason) realiza, em Belém, uma programação que reúne podcast, show e feira comunitária para discutir e fortalecer a cena musical independente da periferia amazônica. A cantora, compositora e produtora cultural Bruna BG é a convidada do podcast On no Rap, que será gravado e transmitido diretamente da Casa da Dona Zina, sede da Associação, no bairro da Sacramenta.

No mesmo espaço acontece um pocket show com o rapper Maverick e o coletivo Mirai Clan, de Marituba, além de uma feira comunitária com vinis, livros, roupas, artesanato e camisetas da marca Matinta, envolvendo também o coletivo Mulheres Empreendedoras da Sacramenta e o selo Nihill Label.



A iniciativa integra o projeto Incubadora de Cidadania, desenvolvido pela Ason. O On no Rap nasce dos debates que o coletivo vem promovendo sobre as demandas de artistas da periferia e produtores independentes, que criam e lançam seus trabalhos com pouco apoio institucional e enfrentam dificuldades para organizar etapas fundamentais da cadeia da música: produção, distribuição, difusão e publicidade da arte feita nos territórios periféricos.

“Nesse contexto, a música é cada vez mais tratada como uma espécie de commodity, funcionando como suporte para as grandes plataformas digitais, mas com baixa remuneração e pouca valorização de artistas independentes, sobretudo das novas gerações e da cena local amazônica”, explica Nicobates, coordenador da Ason e idealizador do evento.

É nesse cenário que a voz de Bruna BG ganha centralidade na conversa. Sua obra transita por referências como rap, brega, afrobeat e outras sonoridades, compondo uma estética diversa e híbrida, marcada pela experiência da periferia do Norte. Para ela, essa multiplicidade dialoga diretamente com as transformações recentes do mercado musical.

“A diversidade dialoga com o mercado atual, que está mais aberto a misturas e novas sonoridades. Nesse contexto a nossa música, abre portas. Mas ainda existe certa resistência em encaixar artistas fora de um padrão, então é um caminho de conquista constante”, afirma a artista.



O movimento, segundo Bruna, é de tensão permanente: ao mesmo tempo em que o mercado exige novidades e fusões, ainda mantém filtros que dificultam a entrada de quem não se enquadra em modelos pré-estabelecidos de gênero, estética ou origem.

Ao longo de sua trajetória, Bruna tem articulado criação musical e atuação política em defesa da música produzida nas periferias do Norte. Suas ações e composições funcionam como uma espécie de manifesto em prol de uma cena que reivindica espaço, reconhecimento e autonomia. Na sua avaliação, para que artistas independentes da Amazônia alcancem maior valorização, são necessárias mudanças estruturais.

“Mais investimento contínuo, políticas públicas acessíveis e descentralização do mercado. Também é essencial dar mais visibilidade nacional pra produção da Amazônia e fortalecer os próprios circuitos locais”, aponta.

A combinação entre políticas públicas de cultura, circulação em escala nacional e fortalecimento de redes e espaços de base — como a própria Casa da Dona Zina — é, para ela, um caminho estratégico para que a cena amazônica deixe de aparecer apenas de forma pontual e passe a integrar de fato o mapa da música brasileira.

O rapper Maverick, vencedor do Festival dos Nativos de 2025, é outro nome central da programação. Ele fará o pocket show da noite, ao lado do coletivo Mirai Clan, de Marituba. A apresentação tem o objetivo de evidenciar, no palco, a força da produção underground que raramente entra nos grandes festivais e circuitos comerciais.

Para Maverick, as plataformas digitais representam hoje um dos principais entraves para artistas que vêm da periferia. O problema, destaca, não é somente o acesso às plataformas, mas a lógica dos algoritmos, que direcionam a visibilidade principalmente para quem já está no topo das paradas.

“Essa dinâmica de playlists acaba reproduzindo sempre os mesmos rostos e as mesmas músicas, dificultando que novos trabalhos sejam descobertos. Nesse contexto, os festivais, podcasts e eventos comunitários tornam-se espaços fundamentais para romper o ciclo de invisibilidade”, afirma.

Nicobates afirma que o ON no Rap é um evento diverso e flexível que pode ocorrer online ou presencial, mas que está inserido em uma série de eventos que a Ason pretende realizar esse ano em torno do tema. “Estamos planejando uma grande união de artistas para criar oportunidades mais claras e vantajosas para os artistas da região. Queremos resistir a essa lógica do algoritmo”, sentencia.  

 

Comunidade - O local onde tudo acontece reforça essa perspectiva. A Casa da Dona Zina, na Sacramenta, é um ponto de cultura que abriga a sede da Associação Sociocultural Outros Nativos. Com um deck estruturado com palco e iluminação, o espaço busca se consolidadar como um polo de encontro, criação e circulação de artistas da periferia.

A transmissão do podcast e a realização do pocket show a partir dali reafirmam a ideia de que a periferia não é apenas público consumidor, mas centro de produção cultural. Ao invés de deslocar os artistas para o eixo central da cidade ou para estruturas formais, a proposta é afirmar o próprio território como lugar legítimo de criação, circulação e debate.

A programação se completa com uma feira comunitária que integra cultura e economia criativa. O coletivo Mulheres Empreendedoras da Sacramento organiza uma feirinha própria; a marca Matinta apresenta suas camisetas autorais; o selo Nihill Label soma com sua atuação na cena independente, ao lado de outros empreendimentos locais. A ideia é criar um ambiente em que o público possa consumir música, produtos culturais e autorais, apoiar iniciativas da região e fortalecer redes de colaboração entre artistas, produtores e empreendedores da periferia.

O Projeto Incubadora de Cidadania tem patrocínio da Lei Aldir Blanc por meio do edital de fomento a projetos continuados da Secretaria de Cultura do Pará e apoio cultural da empresa Suzano.

 

SERVIÇO:

“On no Rap” – Música, periferia e mercado na cena underground da Amazônia

Convidada: Bruna BG – cantora, compositora e produtora cultural

Data: Sábado, dia 18. A partir das 17h no Canal do Youtube da Son

Local: A partir das 19h na Casa da Dona Zina – Passagem Mucajá, 767 - Sacramenta, Belém (PA).

 
 
 

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