OSTP recebe a regente Cibelle Donza em um concerto no Theatro da Paz

Um espetáculo com três momentos muito distintos e enriquecedores é o que promete a

Orquestra Sinfônica do Theatro da Paz (OSTP), no concerto que será apresentado nesta quinta-

feira (29), às 20h, no Theatro da Paz. Regido pela maestrina convidada, Cibelle Donza, o

concerto será composto por compositores do modernismo e terá música de câmara, sinfonia

erudita e a música com influência popular, do jazz e da Broadway. A iniciativa é do Governo do

Pará, por meio da Secretaria de Estado de Cultura (Secult), Theatro da Paz e Academia

Paraense de Música (APM).

De acordo com o maestro titular da OSTP, Miguel Campos Neto, a música vinda do século XVIII

e XIX era muito mais estruturada e muito mais clássica. Já o século XX foi visto como um século

de nova descobertas e novas experimentações, muita ousadia, outras escolas menos ousadas,

mas em termos da música erudita foi um século muito diversificado, de correntes neoclássicas

que olhavam para trás, um turbilhão da música erudita. “Agora que nós estamos no século XXI,

podemos olhar para o século XX como um século do passado, um século clássico e fazer um

apanhado da música nessa época”, explica o maestro.



Neste concerto a OSTP propõe olhar para três compositores que foram uns dos mais

importantes do século XX, Sergei Prokofiev, Leonardo Bernstein e Igor Stravinsky, que

escreveram músicas que hoje podemos chamar de clássicos do modernismo, mesmo o termo

sendo um pouco contraditório, mas nós temos um modernismo e depois de um certo tempo o

moderno pode ser considerado um clássico, como acontece no cinema. “Essa é a proposta da

Orquestra, olhar para um século que teve muitas experimentações e muitas mudanças radicais

na estrutura da música erudita, mas que agora ele já é passado e a gente pode olhar para trás

e fazer um apanhado dele e é isso que nós pretendemos fazer”, define.

Descrição das peças

A primeira do programa é do compositor russo Igor Stravinsky é uma obra de câmara, um

octeto, para instrumentos de sopro, uma obra icônica do período neoclássico, considerada a

primeira obra que marcou o início do período neoclássico na música. O compositor se vale de

formas tradicionais do passado, aplicando uma mescla de linguagens harmônicas e melódicas

modernas. Para Cibelle Donza é uma obra bastante divertida, com uma atmosfera circense.

A segunda obra do programa é do maestro e compositor norte-americano Leonard Bernstein,

‘Danças Sinfônicas de “West Side Story”’, composição divertida, dançante e reflexiva criada

para ser trilha de um musical nos Estados Unidos, estreado em 1957. A história do musical é

uma versão moderna de Romeu e Julieta. Rivais de duas gangues de Nova Iorque se

apaixonam. O rapaz era ligado a uma gangue dos norte-americanos e a moça era ligada a

gangue dos porto-riquenhos. A música traz tanto a linguagem do jazz, mais relacionada ao

ambiente urbano dos Estados Unidos, principalmente naquele momento e uma linguagem

latina que se refere ao grupo dos porto-riquenhos, mesclando essas duas linguagens que são

mais ligadas à música popular. Já as danças sinfônicas foram extraídas a partir desse musical. O

Bernstein mais que compositor, ficou muito conhecido como maestro, então é muito

interessante que ele tenha composto uma música com essa linguagem mais voltada para a

música urbana do momento.

E a última obra do programa a ‘Sinfonia n°5’, de Serguei Prokofiev, um compositor ucraniano,

foi composta no final da guerra, quando a Russia estava prestes a vencer e o próprio

compositor definiu a obra como um canto para um homem livre feliz como uma ode, a força

do ser humano, a generosidade, a pureza da alma.


“Então é muito interessante que ao longo dos quatro momentos a gente passe tanto por

atmosfera de ternura, introspecção, de medo, pelas lembranças da guerra, mas ao mesmo

tempo tem uma atmosfera feliz e muito bom humor, cominando em um caráter de vitória”,

explica Cibelle.

De acordo com a maestra Cibelle Donza, o repertório foi concebido por ela e pelo maestro

Miguel Campos Neto e representa um desafio para orquestra, tanto nos aspectos das

linguagens harmônicas e melódicas, quanto - e especialmente - nos aspectos rítmicos.

“Montamos juntos esse programa e eu acho que está bem legal, divertido e eu considero

muito a minha cara, tem muito de mim e eu fico bem feliz com isso. Ao mesmo tempo que é

um desafio, também é muito prazeroso e divertido, para os músicos e para mim e tenho

certeza que para o público também será”, afirmou a maestra.

Cibelle Donza

Natural de Belém do Pará, Cibelle J. Donza é maestrina e compositora, atual diretora artística e

maestrina da Orquestra Filarmônica MultiArte da Amazônia (Orquestra FILMA), que tem

dentre suas missões promover o repertório do século XX e XXI em igualdade com o repertório

tradicional; traçar conexões entre a música e demais linguagens artísticas, além de valorizar a

mulher nas diversas atuações e em papéis de liderança dentro da orquestra (artística, técnica e

de produção). É regente principal da Big Band Zarabatana Jazz Band e, também, professora da

Escola de Música da Universidade Federal do Pará (UFPA). Cibelle já conduziu inúmeras vezes a

OSTP e outras importantes orquestras brasileiras, durante festivais internacionais. Suas

composições abrangem não só o tema sinfônico, pois, têm, também, executadas obras

camerísticas para trios, quartetos, duos e sextetos, além de obras acusmáticas, eletroacústico-

mistas e trilha para curta metragem.


Programa

Igor Stravinsky (1882-1971)

Octeto, para instrumentos de sopro

I. Sinfonia (Lento - Allegro moderato)

II. Tema con variazioni (Andantino)

III. Finale (Tempo giusto)

Leonard Bernstein (1918-1990)

Danças Sinfônicas de “West Side Story”

I. Prologue (Allegro moderato)

II. Somewhere (Adagio)

III. Scherzo (Vivace e leggiero)

IV. Mambo (Meno presto)

V. Cha-Cha (Andantino con grazia)

VI. Meeting Scene (Meno mosso)

VII. “Cool” Fugue (Allegretto)

VIII. Rumble (Molto allegro)

IX. Finale (Adagio)

Serguei Prokofiev (1891-1953)

Sinfonia n° 5 em Si bemol Maior, Op. 100

I. Andante

II. Allegro marcato

III. Adagio

IV. Allegro giocoso


Serviço:

Concerto da OSTP sob a regência de Cibelle Donza

Data: 29 de setembro, às 20h

Local: Theatro da Paz

Os ingressos estarão disponíveis para retirada no dia do concerto, a partir das 9h, na bilheteria

digital e na bilheteria do Theatro da Paz partir das 18h. Ingressos gratuitos (2 ingressos por

CPF).

Texto: Úrsula Pereira (Ascom Theatro da Paz)

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