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“Passagem dos Inocentes”, livro de Dalcídio Jurandir, é reeditado após 60 anos

Após 60 anos do lançamento, o livro “Passagem dos Inocentes”, de Dalcídio Jurandir, volta às mãos dos leitores apaixonados pela literatura feita no Norte do Brasil. A partir de 03/11, a obra está em pré-venda pela Folheando, editora paraense responsável pela reedição e publicação da obra. “Passagem” ´é considerada um ponto de transição no trabalho do maior romancista do Pará, que deu vida a personagens icônicos de Belém e do Marajó no conjunto de dez livros, conhecido como Ciclo do Extremo Norte.

“Passagem dos Inocentes” deve chegar às prateleiras celebrado pelos amantes da obra de Dalcídio, falecido em 1979 e equiparado pela força e representatividade dos seus livros a nomes da literatura, como Jorge Amado e Graciliano Ramos, isto sem falar em comparações com escritores mundialmente reconhecidos como o francês Marcel Proust.



Apesar da importância de Dalcídio para o panteão de heróis da Literatura nacional e para a cultura paraense, ainda é difícil acessar todos os livros do Ciclo Extremo Norte. Ainda são escassas as reedições, à exceção de iniciativas relativamente recentes que trouxeram de volta obras como “Chove nos campos de Cachoeira”, “Ponte do Galo”, “Três casas e um rio” e “Ribanceira”.

Para Douglas de Oliveira, publisher da Folheando, a reedição de “Passagem” contribui para manter a memória de Dalcídio viva e a tornar possível a circulação das obras dele para além dos públicos que já conhecem o escritor marajoara. “Um dos objetivos também é ampliar o público, hoje ainda muito restrito à academia e a pesquisadores que estudam a obra de Dalcídio”, comenta

A publicação traz na capa ilustração de Helena Renato Dalfre e terá uma edição moderna e atualizada, pronta para estar nas principais livrarias do país. Na pré-venda serão oferecidos brindes como marcadores de páginas, pôster, bottons e ecobag. O lançamento do livro impresso está previsto para dezembro deste ano, em Belém.

A OBRA

“Passagem dos inocentes” foi publicado originalmente em 1963 pela Martins Editora e dá continuidade à saga do menino Alfredo em sua transição da pequena Cachoeira do Ariri, no Marajó, para uma já movimentada e complexa Belém dos anos 1920. Além de Alfredo, o livro coloca no centro da narrativa Celeste, a Dona Cecé, sobrinha do pai do garoto que o recebe na Passagem dos Inocentes, ruela pobre do ainda periférico bairro do Umarizal.

Para estudiosos da obra dalcidiana, o livro é um marco no que diz respeito à linguagem, com o uso de recursos narrativos como o fluxo de consciência e a não-linearidade cronológica no enredo. O filósofo paraense Benedito Nunes (1929-2011) afirma, em artigo para a revista Matraga, produzida pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que “a partir de ‘Passagem dos Inocentes, a envergadura romanesca do Ciclo do Extremo Norte cresceria na proporção dessa envergadura linguística da narrativa”.

“Passagem” consta como o quinto livro do Ciclo do Extremo Norte, de Dalcídio. Antes dele, o autor publicou "Chove nos campos de Cachoeira" (1941), "Marajó" (1947), "Três casas e um rio" (1958) e "Belém do Grão-Pará" (1960). O ciclo se completa com "Primeira Manhã" (1967), "Ponte do Galo" (1971), "Os habitantes" (1976), "Chão dos Lobos" (1976) e "Ribanceira" (1978).

O AUTOR

Dalcídio Ramos Pereira, aclamado na Literatura como Dalcídio Jurandir, nasceu em um chalé à beira do rio, em 10 de janeiro de 1909, na Vila de Ponta de Pedras, no arquipélago do Marajó. Filho de Alfredo Pereira e Margarida Ramos, em 1910, ele se mudou para a Vila de Cachoeira, outra localidade marajoara, onde passou a infância, aprendendo com sua mãe as primeiras letras.

Em 1921, o jovem Dalcídio vem para Belém estudar e, em 1928, viaja para o Rio de Janeiro. Até conseguir a primeira oportunidade profissional no mundo das letras no Rio, o autor enfrentou dificuldades e foi lavador de pratos. Seu primeiro trabalho escrevendo foi como revisor na revista "Fon-Fon", onde colaborou sem remuneração. Em 1929, ele escreveu a primeira versão de "Chove nos campos de Cachoeira".



Dalcídio também teve uma intensa atuação como jornalistas, trabalhando em publicações como as revistas paraenses "Terra Imatura" e "Pará Ilustrado. Comunista assumido, Dalcídio participou ativamente do movimento da Aliança Nacional Libertadora e foi preso em suas ocasiões por sua atividade política, em 1935 e 1937.

Durante sua trajetória, foi agraciado com prêmios importantes como Dom Casmurro de Literatura (1940), Prêmio Paula Brito (1960) e o Prêmio Machado de Assis de Literatura (1972), pelo conjunto de sua obra. No dia 16 de junho de 1979, o escritor falece na cidade do Rio de Janeiro.

A EDITORA

A Folheando é uma editora com interesse na publicação de diversos gêneros, com enfoque em literatura e humanidades. Fundada em Belém do Pará, no dia 17 de setembro de 2017, nossa proposta atual tem sido a de publicar autores sem custo de edição, prezando pelo cuidado, qualidade do texto, projeto gráfico e a difusão da leitura no Brasil.


SERVIÇO

Livro: “Passagem dos Inocentes”

Autor: Dalcídio Jurandir

Editora: Folheando

N° de páginas: 500

Preço: entre R$ 79,90 e R$ 99.

Pré-venda pelo site editorafolheando.com.br a partir de 3 de novembro

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