Projeto "Falando com o Nariz" promove circulação de espetáculo circense e oficinas com acessibilidade pelo Pará
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A partir do dia 22 de abril, o projeto cultural "Falando com o Nariz" inicia sua circulação pelo estado do Pará, levando o espetáculo circense "Daqui a Pouco" e a oficina "Jogos Teatrais para uma educação acessível" a cinco localidades. Selecionado pelo Edital PNAB Pará (n° 002/2025), o projeto tem como premissa democratizar o acesso à cultura, priorizando o público surdo como participante da experiência estética.

Espetáculo ‘‘Daqui a Pouco’’ No palco, o palhaço Rubervaldo (vivido pelo ator Ruber Sarmento) conduz a plateia por uma jornada de habilidades circenses e reflexão. O diferencial está na dramaturgia: pensada para a total compreensão de pessoas surdas, a cena integra a oralidade aos sinais de mão (LIBRAS). Com o apoio de um intérprete em cena, Rubervaldo demonstra que a comunicação vai muito além das palavras, utilizando o lúdico para derrubar barreiras sociais.
Ao trabalhar questões de acessibilidade, com foco no público surdo, a dramaturgia do espetáculo e cenas foram pensadas para a total compreensão desta plateia. Nesta apresentação, o palhaço Rubervaldo direciona seu nariz para a importância do aprendizado da LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais. De forma lúdica, o palhaço Rubervaldo executa números de habilidades e nos traz a reflexão sobre a importância da comunicação e suas diversas formas para as interações sociais.

Para o ator Ruber Sarmento, a iniciativa nasce de uma busca pessoal por uma comunicação mais direta. "Era uma inquietação que eu tinha. Eu falo um pouco de LIBRAS e já tinha tido algumas experiências de trabalhar com público surdo. Agora, nesse projeto, estou tendo a chance de fazer o espetáculo oralizando e utilizando a língua de sinais. O intérprete está ao meu lado ajudando, mas é bem mais eficaz para a compreensão do surdo se o próprio ator sinalizar", explica o artista.
Oficina: “Jogos Teatrais para uma educação acessível” Além das apresentações, o projeto oferece a oficina “Jogos Teatrais para uma educação acessível”, voltada a alunos e profissionais da educação. O objetivo é compartilhar ferramentas que integrem a sensibilidade da palhaçaria ao ambiente escolar, transformando a sala de aula em um espaço de diálogo inclusivo.

A formação propõe uma imersão prática na arte teatral de forma acessível, indo ao encontro das pessoas e derrubando as barreiras da comunicação convencional. Através de uma vivência de Teatro e Palhaçaria, a oficina busca fomentar o debate sobre a acessibilidade do público surdo, instigando crianças, jovens da rede pública de ensino e profissionais da educação a explorarem novas potências expressivas. Utilizando o corpo e o gesto como linguagens universais de conexão.
Além da prática artística, a oficina compartilha metodologias de ensino com outros educadores, oferecendo ferramentas que integram a sensibilidade da palhaçaria ao ambiente escolar. O objetivo é capacitar profissionais e alunos para uma recepção estética ativa, transformando a sala de aula em um espaço de diálogo, onde a arte se torna, enfim, um direito acessível a todos.
A produtora geral, Ana Marceliano, destaca que a acessibilidade é um compromisso contínuo da equipe: "Cada vez mais precisamos aprender a trazer acessibilidade aos projetos culturais. A cada projeto que realizamos nos enchemos de aprendizado e queremos cada vez mais fazer isso com maior qualidade", afirma.

Contrapartida Social - Oficina de Comicidade Física para Surdos e Ouvintes
Como contrapartida social, será realizada em Belém (30/04) a oficina “Comicidade Física para Surdos e Ouvintes”. Ministrada por Ruber Sarmento na ETDUFPA, a formação foca no treinamento gestual e técnicas clássicas (cascatas, quedas e claques), onde o corpo assume a narrativa principal, garantindo uma linguagem universal.
Esta oficina prática é um convite, a surdos e ouvintes, ao aprofundamento do trabalho físico na palhaçaria, onde o gesto precede a palavra e o corpo se torna o protagonista da narrativa. Partindo da premissa de que a arte e a educação são ferramentas de mudança de paradigmas, a formação foca no treinamento gestual cômico e na construção de um repertório individual através de técnicas clássicas e contemporâneas. O curso propõe o uso de “cascatas”, “claques”, “tropeços” e “quedas” como vocabulário para a criação de cenas cômicas, garantindo uma comunicação universal que contempla e possibilita o acesso ao público surdo.
Toda a programação é gratuita e tem classificação indicativa Livre.
SERVIÇO:
Calendário da Circulação
BELÉM
22/04 (Quarta): CIIR (Rod. Arthur Bernardes, 1000) | Espetáculo: 10h / Oficina: 10h40.
23/04 (Quinta): Instituto Filippo Smaldone (Tv. 14 de Março, 854) | Espetáculo: 10h / Oficina: 10h40.
30/04 (Quinta): Escola de Teatro e Dança da UFPA | Oficina de Contrapartida: 19h às 21h30.
ANANINDEUA
24/04 (Sexta): Escola Celina dell Tetto (Estr. Icuí-Guajará, 1223) | Espetáculo: 10h / Oficina: 10h40.
BRAGANÇA / AJURUTEUA
28/04 (Terça): IFPA Bragança (Auditório) | Espetáculo: 10h / Oficina: 10h40.
28/04 (Terça): Escola Domingos de Sousa Melo (Vila do Bonifácio) | Espetáculo: 14h30 / Oficina: 15h20.
CASTANHAL
05/05 (Terça): Sesc Castanhal | Espetáculo: 10h / Oficina: 10h40.
Ficha Técnica do Projeto
Ator/Palhaço: Ruber Sarmento
Consultor de Acessibilidade do Espetáculo: Luan Tavares
Produção Geral: Ana Marceliano
Produção Local Bragança: Juliana Tourinho
Produção Local Castanhal: Lilly Silva
Interprete de Libras: Alan Aviz
Design e ilustração: Raissa Araújo / Estufa Criativa
Fotografia e Filmagem: David Galvão
Assessoria de Imprensa: Ana Marceliano





