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Rainha africana inspira espetáculo sobre ancestralidade e resistência negra em Belém

  • há 19 horas
  • 3 min de leitura

Destacar a contribuição afro-brasileira na formação da cultura e religiosidade do Brasil é uma das inspirações para o espetáculo de dança “A Saga de Agotimé”. Resgatando a história da emblemática rainha Agotimé, monarca do reino africano de Daomé, atual Benin, e referência central na tradição do Tambor de Mina, o espetáculo que chega aos palcos do Teatro Estação Gasômetro no próximo 6 e 7 de agosto, às 19h, reúne ainda percussão, teatro e elementos da cosmologia africana em diáspora. A montagem resgata uma trajetória historicamente invisibilizada e reafirma a importância das mulheres negras para a formação do Brasil.



Com direção de Taynara Garcia, dançarina formada pela Escola de Teatro e Dança da UFPA (ETDUFPA) e arte-educadora paraense, ela também é idealizadora da montagem, que teve em 2023 uma primeira oficina ministrada por ela no Curro Velho, na Fundação Cultural do Pará (FCP), que resultou em apresentações de uma montagem inicial do espetáculo.


A narrativa acompanha a travessia forçada de Agotimé e evidencia como os saberes, a espiritualidade e as práticas culturais africanas resistiram ao processo de escravização, tornando-se parte fundamental da constituição das tradições afro-brasileiras, especialmente do Tambor de Mina no Maranhão e de sua presença em outros territórios amazônicos, como o Pará.



Com elenco majoritariamente formado por mulheres negras, Taynara enfatiza com animação como agora nesta nova montagem ela alcança exatamente o que desejava com a idealização do projeto. “Não estamos representando uma mulher negra a partir de uma coisa que estou imaginando. Eu sou uma mulher negra, de bairro periférico, que reside numa Região Norte, invisibilizada artisticamente, e esse peso traz ainda mais sentido para a cena”, ressalta.


A Saga de Agotimé propõe ampliar a presença das narrativas negras nos palcos amazônicos, evidenciando histórias frequentemente invisibilizadas e reafirmando a contribuição dos povos africanos para a formação cultural brasileira. Taynara, a idealizadora do projeto, destaca que a montagem integra um movimento de valorização da produção artística afro-amazônica, trazendo narrativas que não são calcadas em inferiorização e submissão das personalidades afro-diaspóricas, convidando o público a refletir sobre memória, pertencimento e ancestralidade.


Esse sentido tem dado corpo e liga de união entre as participantes do espetáculo, que são dançarinas, mas também modelos, atrizes, musicistas e fazedores de cultura ligadas à tradição do Tambor de Crioula e do Tambor de Mina. “As mulheres pretas se juntaram em um coletivo, nós estamos trabalhando juntas em vários setores, como na cenografia e no figurino, cada uma ajudando como pode, com sua expertise e seus recursos”, explica Taynara.


Essa união é ainda mais importante porque Taynara destaca a dificuldade para construir o espetáculo por causa do tabu que recai sobre as religiões afro-brasileiras. Partir de uma personagem histórica como Agotimé já gera resistência. “Estamos falando de corpos femininos e negros sem o viés da sexualidade, muito pelo contrário. É um corpo político que fala por si dentro de uma estrutura que ainda é muito machista”, conclui.


O espetáculo conta com a participação da Mestra Pretta Nzinga Jamile, de Maiara Almeida e do Grupo de Tambor de Crioula Filhos e Amigos de Cururupu, fortalecendo o diálogo entre diferentes expressões da cultura afro-brasileira e aproximando tradição, performance e memória.


Contemplado com o Edital Nº 002/2025, de Fomento à Criação de Projetos Culturais do Governo do Estado do Pará, por meio da Lei Aldir Blanc, o projeto reafirma seu compromisso com a democratização do acesso à cultura, oferecendo acessibilidade em Libras e espaço reservado para Pessoas com Deficiência (PCD). Como medida de ampliação do acesso ao espetáculo, também disponibiliza meia-entrada para Pessoas com Deficiência (PCD), mães solo e pessoas trans, fortalecendo o compromisso com uma programação cultural mais inclusiva e acessível.



SERVIÇO:


Espetáculo: A Saga de Agotimé


Data: 06 e 07 de Agosto


Horário: 19h00


Local: Teatro Estação Gasômetro


Acessibilidade: Tradução em Libras e Espaço PCD


Meia entrada: Pessoas com deficiência, Pessoas Trans, Mães solo.


Ingressos: R$ 20,00 Inteira | R$ 10,00 Meia


Contato para ingressos e informações:

Nome: Taynara Garcia


Telefone: 91 8918-0902



Créditos das Fotos em Anexo: Taynara Garcia (elenco) e Nicobates (ensaios).




FICHA TÉCNICA:


Coordenação de Produção e Direção: Taynara Garcia – Artes Negras em Movimento.


Produção Executiva e Assessoria de Comunicação: Elielton Alves – Uka Uka Arte e Cultura.


Dançarinas: Anastácia Marshelly, Bianca Bahia, Elidiane Parente, Jojô Pantoja, Khetelen Vitoria, Lo Ojuara, Rosy Lueji, Stella Mendes, Thamirys Monteiro, Wendd Evelyn.


Percussionistas: Brena Corrêa e Katarina Chaves.


Participação especial: Mestra Pretta Nzinga Jamile, Maiara Almeida e Grupo de Tambor de Crioula Filhos e Amigos de Cururupu.


Iluminação: Malu Rabelo.


Cenotecnia: Cláudio Bastos.


Sonoplastia: Pawer Martins.


Produção: Mika Nascimento.


Intérprete Tradutor de Libras: Gabriel Lucena.


Captação de bastidores e vídeos: Associação Sociocultural Outros Nativos.


Captação de imagens: Victor Peixe.


Designer gráfico: Thayse Panda.


Parceiros: Curro Velho, Hounsou Store, Associação Sociocultural Outros Nativos e Escola Estadual E.F Santo Afonso.


Patrocínio: PNAB (Política Nacional Aldir Blanc), Secretaria Estadual de Cultura (Secult), Governo do Pará, Ministério da Cultura, Governo Federal.

 
 
 

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