Tapajazz realiza segunda edição da Mostra Belém

O Tapajazz nasceu há oito anos banhado pelas águas do rio Tapajós, em Alter do Chão, Santarém, no Pará. O primeiro festival de jazz do interior amazônico é também um dos quatro maiores do gênero na nossa região. A ideia foi do produtor Guilherme Taré, que conhece a tradição musical do município, onde vive o violonista Sebastião Tapajós e onde nasceu o saudoso Maestro Izoca. Hoje, com 300 mil habitantes, a cidade possui uma orquestra sinfônica e investe no ensino superior de música também.

“Já vivi profissionalmente de música, fora do país, e depois que retornei, percebi que era importante fortalecer o contato dos nossos músicos com esse gênero produzido também no resto do país”, diz Taré. Em 2020, não satisfeito em realizar o evento anual de três dias em sua cidade, resolveu trazer um recorte da iniciativa para a capital paraense.

Ano passado, foi realizada a 1ª edição do Tapajazz Mostra Belém, ocupando o Teatro Waldemar Henrique. O evento teve um público restrito e foi transmitido pelo Youtube. Alguns artistas se apresentaram no palco do teatro e outros entraram, de São Paulo e Macapá (AP), ao vivo, pela internet.


Este ano, a segunda edição do Tapajazz Mostra Belém também terá formato híbrido, com programação de 12 a 14 de agosto, iniciando sempre às 19h30, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur. O evento deveria ter sido realizado em junho, mas diversos fatores levaram ao adiamento de pelo menos duas vezes, até que se conseguisse encaixar as circunstâncias da pandemia, a pauta do teatro e a agenda dos convidados que este ano estarão todos presentes em Belém.

Piano na abertura

A programação abre no dia 12, com a apresentação solo do pianista carioca Gilson Peranzzetta. Ano passado, ele gravou um disco no auge da pandemia, em casa. Lançado nas plataformas digitais pela Fina Flor, teve show produzido pelo SESC.

Atualmente está gravando um novo CD, que vai se chamar Caderno Espanhol. Logo depois do Tapajazz Mostra Belém, ele se apresentará, em 28 de agosto, como solista da Jazz Sinfônica de São Paulo e, em dezembro, com a Big Band Vale Jazz em Vitória. Um dos momentos esperados desta edição será o reencontro entre o pianista e o violonista Sebastião Tapajós, que nos anos 1980 trabalharam juntos e gravaram discos.


Neste primeiro dia, também se apresentará, o pianista paraense, arranjador e diretor musical, Lenilson Albuquerque, que estará em formação de quinteto, com baixo, bateria, sax e percussão. O artista vem atuando com grandes nomes da música paraense, morou em Minas Gerais, e fez shows internacionais como na cidade do México.

Presença feminina, guitarra e bandolim

Na segunda noite do evento, 13, haverá apresentação da cantora paulista Badi Assad, desbravando o festival deste ano que, pela primeira vez, receberá no palco principal uma atração feminina. Uma não, duas, pois a cantora, violonista e compositora traz como convidada, a instrumentista baiana Lívia Mattos.

Ela vai apresentar o show “Volta ao Mundo em 80 Artista”, desdobramento do livro homônimo, lançado em 2018, e que também virou CD, lançado nos EUA, onde a cantora está no momento cumprindo uma agenda, antes de voltar ao Brasil e voar para o Tapajazz, em Belém. A artista tem mais de 14 álbuns lançados em todo o mundo e mais de 40 países visitados em 25 anos de carreira. Versátil e sempre envolvida em novos projetos, ela lançou, nesta semana, uma série de vídeos em que ela canta canções censuradas na Ditadura Militar.

Neste mesmo dia, a programação também trará o músico baiano, Armandinho Macêdo, com o show “Bandolim, Guitarra Baiana”, em que fará um passeio musical pela carreira e trajetória. No repertório há desde a época de sua banda A Cor do Som, passando por suas parcerias e influências em mais de 50 anos de carreira. No palco, ele estará acompanhado de Cesário Leone (baixo), Yacoce Simões (teclados), Márcio Diniz (bateria) e Emanuel Magno (percussão).

Nascido na capital baiana, ele é referência dos carnavais de Salvador, filho do criador do primeiro trio elétrico (Osmar Macêdo) com seu parceiro Dodô. Armandinho Macêdo tem mais de 38 discos gravados, sendo os últimos “A Cor do Som - 40 Anos”, “B.A.S – Brazil Afro Symphonic” e "Armandinho Macêdo – Maria Vasco”, todos disponíveis para venda pelo perfil do artista, no Instagram.

Sebastião Tapajós e convidados

O violonista Sebastião Tapajós estará no palco do Teatro Margarida Schivasappa, para encerrar o evento, no dia 14 de agosto. Anfitrião oficial do festival, desde sempre, em Belém, ele não estará sozinho. A apresentação vai conta com a Amazônia Jazz Band, com o baixista Ney Conceição e com os cantores e compositores, Nilson Chaves e Alfredo Reis. Haverá ainda a participação de Armandinho Macêdo.

Também será noite de reencontro entre Sebastião Tapajós, com Gilson Peranzzetta, que formaram um duo de muito sucesso em 1986, gravando discos como o CD “Lado a Lado”, lançado no Brasil e no Japão; “Afinidades”, lançado no Brasil e na Alemanha.

A parceria os levou a turnês pelo Brasil, Europa e Japão. Eles ainda gravaram em trio, incluindo Hermeto Pascoal, além do CD Encontro de solistas, com Sebastião, Gilson, Maurício Einhorn e Altamiro Carrilho. Tocaram juntos pelos anos 1990 e 2000, até Sebastião voltar a morar em Santarém-Pa.

O Tapajazz Mostra Belém é um projeto selecionado pelo edital Festivália, da Lei Aldir Blanc, Secult-Pa e Governo do Estado do Pará, com realização Fábrica de Produções , patrocínio da ALCOA e apoio da Prefeitura de Belém, Casa do Saulo e Holofote Virtual.

Serviço

Tapajazz – Mostra Belém – 2021. De 12 a 14 de agosto, às 19h30, no Teatro Margarida Schivasappa do Centur. Gratuito. Haverá distribuição de ingressos respeitando as orientações e protocolos de saúde vigentes. Em breve novas informações. Siga o Tapajazz nas redes sociais @tapajazz

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