Tybyras', mostra queer amazônica de Henrique Montagne (PA) segue em cartaz no primeiro museu LGBTQIA+ da América Latina
- blognewschristian
- há 32 minutos
- 2 min de leitura
A exposição “Tybyras: Caminhos de uma Amazônia Queer”, do artista paraense Henrique Montagne, entra em sua última semana em cartaz no Museu da Diversidade Sexual, em São Paulo. A mostra pode ser visitada até 11 de janeiro de 2026, com entrada gratuita.

Considerado um dos jovens artistas mais relevantes da cena contemporânea do Norte do país e destaque do Prêmio PIPA, Montagne ocupa o primeiro museu LGBTQIA+ da América Latina com uma exposição que conecta arte, memória e política. A partir de fotografia, desenho e texto, “Tybyras” articula a história de Tibira do Maranhão, indígena tupinambá executado em 1614 e reconhecido como o primeiro caso documentado de morte por LGBTfobia no Brasil, a corpos dissidentes que hoje resistem na Amazônia.

“Vir da periferia, concluir meus estudos em artes e dedicar minha vida a isso, trazendo uma vivência afetiva e ancestral da Amazônia e do território LGBTQIA+ do Pará para o outro lado do país, tem um peso simbólico enorme”, afirma Montagne. “Trazer essa história para o Museu da Diversidade Sexual é afirmar que a Amazônia também produz pensamento, arte e política queer.”

Para construir a exposição, o artista percorreu territórios como Mairi (antigo nome de Belém), Ilha do Marajó, Carajás e Tapajós, reunindo relatos de pessoas LGBTQIA+ indígenas, ribeirinhas, caboclas e mestiças. O resultado é um aldeamento simbólico de afetos e memórias, que propõe cura frente aos apagamentos coloniais. “É muito importante expandir esses debates, conectando sexualidade, gênero, história colonial e resistência na Amazônia”, diz.

“Tybyras” marca também uma retomada institucional na trajetória de Montagne, após o cancelamento, em 2021, de uma exposição sua com temática homoafetiva, barrada na véspera da abertura. “Depois de ser barrado, decidi seguir criando a partir da Amazônia, com independência. Levar ‘Tybyras’ a São Paulo é descentralizar o olhar sobre o que se faz no Norte”, afirma. “Estar no Museu da Diversidade Sexual é um gesto político e afetivo.”
Para a gerente do museu, Beatriz Oliveira, a exposição amplia o debate sobre diversidade no país. “Ao trazer o trabalho de um artista jovem da Amazônia, reafirmamos o museu como lugar de resistência e visibilidade. A obra de Henrique mostra que a Amazônia também é queer, viva e múltipla”, diz.

Serviço
Exposição: “Tybyras: Caminhos de uma Amazônia Queer”Local: Museu da Diversidade Sexual – Praça da República, 299, São PauloVisitação: até 11 de janeiro de 2026Horário: terça a domingo, das 10h às 18hEntrada: gratuita





