Websérie ​"Círio. Outras Perspectivas" apresenta diferentes olhares da manifestação religiosa

Como é o seu Círio? Como você participa dessa grande manifestação cultural? Pensando nos diversos recortes que o Círio tem, a Melé Produções e a Treme Filmes apresentam a websérie documental Círio. Outras Perspectivas, que conta a história dessa que é uma das maiores manifestações religiosas e culturais do Brasil sob o olhar de cinco diferentes personagens. Gravado em outubro de 2018, a websérie será lançada dia 06 de outubro no Youtube da Melé Produções, com a disponibilização do primeiro episódio. Os demais episódios serão apresentados nos dias 13, 20 e 27 de outubro, respectivamente, e todos terão a tradução em libras. No dia 04, a Galeria Benedito Nunes, no Centur, recebe a exposição de fotos feitas durante a produção da websérie, que ficará disponível para visitação durante todo o mês de outubro. A abertura será às 19h30 e contará com vernissage e participação do cantor e compositor Iris da Selva. O projeto foi selecionado pelo Edital de Audiovisual - Lei Aldir Blanc Pará 2020.


Círio. Outras Perspectivas é um projeto independente, gravado nas festividades do Círio de Nazaré de 2018 durante as diversas programações que compõem o calendário oficial, tais como Trasladação, Círio e Círio Fluvial, e extraoficial do evento como Auto do Círio, movimentações culturais que ocorrem na Praça do Carmo, Ver-o-Peso e Icoaraci, ambientes de atuação e afeto dos personagens escolhidos para o filme.

Dividida em quatro episódios com duração média de 20 minutos cada, a websérie documental traz a narrativa de cinco personagens: uma mãe de santo de nação Angola, uma drag travesti, uma artista de rua que toca Carimbó nas praças da cidade e um casal de barqueiros que trabalha no trajeto do Círio Fluvial. A ideia é contar histórias e experiências de um Círio que existe, mas é invisibilizado pela sociedade por estes personagens que estão além da religiosidade.

O projeto é um trabalho autoral, gravado todo em câmeras DSLR (câmera na mão), de forma intuitiva, que se utiliza de falas e paisagens culturais diversas para entender a celebração do Círio de Nazaré com suas diferentes formas de interação do povo com essa manifestação cultural. A websérie foi gravada sem verba, apenas com apoio de iniciativas locais e, para sua finalização, contou com o edital de audiovisual da Lei Aldir Blanc, que está viabilizando o lançamento da websérie.


A direção e roteiro da websérie é assinada pela doutora em Ciências Sociais pela UNICAMP, Luciana Wilm, e pelo produtor, diretor de cinema e teatro, Tyago Thompson (Melé Produções). A direção de Fotografia é de Paulo Favacho (Treme Filmes), multimídia formado em direção de fotografia pela AIC - Academia Internacional de Cinema. A produção é da Melé Produções.

“Buscamos nas histórias desses personagens suas contribuições de afeto, arte e religiosidade que contribuem ativamente para a egrégora da maior celebração religiosa da América Latina, realizada há mais de duzentos anos em Belém do Pará. No projeto, além da websérie documental de quatro episódios, exibiremos também os registros fotográficos feitos por nossa equipe durante as gravações em exposição a ser realizada na Galeria Benedito Nunes, no CENTUR”, explica Tyago Thompson, um dos diretores do documentário.

Além dos personagens, a websérie tem registros do mestre Camaroeiro, entidade manifestada em Pai Aluízio Brasil de Lissa (falecido um ano após as gravações, 2019), participação da antropóloga Anaiza Virgolino e de Edmilson Rodrigues, atual prefeito de Belém, que, à época da gravação, estava Deputado Federal.

Invisibilidade – Mais do que um evento religioso, o Círio é um acontecimento histórico, social e antropológico em devoção a Nossa Senhora de Nazaré e que, portanto, envolve diversos personagens marginalizados pela sociedade, um Círio invisível e marginal.

“Nosso filme se propõe a dialogar com personagens que também fazem parte desta celebração, porém, em contextos que normalmente não são entendidos como oficiais dessa expressão da cultura popular do belenense. Esperamos, como resultado, aproximar o Círio de um entendimento para além da igreja católica, acentuando-o cada vez mais como uma manifestação do povo”, explica a diretora Luciana Wilm.

Lançamento – A websérie documental será lançada dia 06 de outubro no YouTube da Melé Produções, com a divulgação de seu primeiro episódio às 19 horas. Os demais serão disponibilizados nos dias 13, 20 e 27 de outubro, contando com tradução em libras. No dia 04 de outubro, a Galeria Benedito Nunes, no CENTUR, recebe a exposição com as fotos produzidas durante a gravação do documentário. Para abertura da exposição teremos um vernissage a partir de 19h30, com participação do cantor e compositor Iris da Selva.

“O projeto foi realizado sem qualquer incentivo ou aporte financeiro e, se não fosse a Lei Aldir Blanc, muito possivelmente a websérie não seria finalizada. Foram 4 dias de gravações, com mais de 600 GB de material. Sem esse incentivo, a finalização do documentário muito provavelmente não existiria e entraríamos para estatística dos projetos realizados e não finalizados por falta de incentivo/verba”, relembra Paulo Favacho.


Serviço:

| O quê: Lançamento da websérie documental Círio. Outras Perspectivas - exibição do 1ª episódio / Exposição Fotográfica Círio. Outras Perspectivas,

| Onde: Youtube Melé Produções / Galeria Benedito Nunes do CENTUR

| Data: 06 de outubro de 2021 às 19 horas / De 04 a 21 de outubro de 2021

| Mais em: @meleproducoes / @tremefilmess

Sobre os diretores

Luciana Almeida Wilm: doutora em Ciências Sociais pela Universidade Estadual de Campinas/UNICAMP em 2017. Trabalha com cultura e arte desde 2009, tem experiência em produção de laudos antropológicos para a demarcação de terra em comunidades quilombolas (INCRA), trabalhou com pesquisadora no Inventário de Referências Culturais do Patrimônio Imaterial do Ver-o-Peso, IPHAN/PA. Fez alguns trabalhos em antropologia visual, principalmente na criação de acervos fotográficos. Foi roteirista e pesquisadora no documentário “Ver-o-Peso” (patrocinado pela Petrobrás, Minc e IPHAN) e, agora, no “Círio – Outras Perspectivas”. Atualmente trabalha com arte-educação, curadoria de conhecimento e pesquisa voltadas às populações amazônicas.

Tyago Thompson: ator, produtor e diretor de cinema e teatro, formado em Artes Cênicas pela ETET Martins Penna, no RJ. De 2008 a 2010, recebeu indicações a prêmios de melhor ator e roteirista em festivais de teatro no Rio de Janeiro; Em 2014, junto a outros artistas, criou a Melé Produções, um coletivo de produção cultural independente. Como diretor, completou seu primeiro curta-metragem, "Contrassenso," em 2016, sendo selecionado para o Inshort Film Festival de 2018, em Lagos, na Nigéria. Em 2017, dirigiu clipes e EPKs de artistas como Pedro Quental (Monobloco) e a banda de jazz Relógio de Dalí, além de desenvolver projetos de arte educação como "A Porta Azul", idealizado pelo multiartista Rona Neves. Em 2018, mudou-se para região amazônica. Em Belém do Pará, com a Melé, produziu os festivais "Palco Negro autoral", "Circuito Saravá", "Circuito Mangueirosa de Carnaval" e "Telas em movimento", primeiro festival de cinema das periferias da Amazônia, onde inaugurou o primeiro Cine Clube na Ilha do Combu. Como diretor em Belém, liderou as gravações do curta-metragem experimental "Égua da Princesa", selecionado para o 13º For Rainbow – Festival de Cinema e Cultura da Diversidade Sexual e de Gênero, em Fortaleza/CE, além do canal "Prazer, Flores!", idealizado e apresentado pela drag travesti Flores Astrais, bem como o programa "Diálogos Essenciais", do SINDIFISCO-PA, junto a jornalista Adelaide Oliveira. Atualmente se dedica a manter seu psicológico em dia, aguardando ansiosamente o coronga meter o pé, pra voltar a fazer arte.

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